Jardim Gonçalves versus Álvaro Órfão.

 


Fiz uma coisa recentemente, que nunca poderia, em tempo algum, pensar fazer.

Comprei e li a biografia do Senhor Jorge Jardim Gonçalves. Quase 700 páginas.

Muito bem escritas.

Interessante estória de vida. Ou melhor, de muitas vidas.

Escritas por um bom escriba. Sabujo, como quase todos os escribas do sistema. Avençados a isto ou àquilo. Luís Osório de seu nome. Interessante personagem a quem o João Gobern deixou com a mão estendida porque a personagem tinha prometido trabalho ao Pedro Rolo Duarte e depois fez-se esquecido. E, num momento típico dos sem vergonha estendeu a mão ao João que apenas lhe respondeu: “enquanto não me explicares o que fizeste ao Pedro não te cumprimento”.

Anos após desse momento numa crónica radiofónica decadente e oleosa, como quase todas, foi o próprio que revelou esse triste momento. Não para o lamentar. Apenas para o divulgar, como se de um ato de contrição balofo se tratasse.

A canalhice no seu melhor.

Mas, dizia eu, comprei o livro. 30 páus. Caríssimo!

E li-o integralmente.

Bem escrito como seria de esperar.

Um encontro de dois canalhas durante 5 anos de conversas amenas entre chazinhos e biscoitos que a Senhora Dª Assunção servia.

Fiquei a saber tudo o que me faltava acerca da vida de um homem fascinante.

Líder nato.

De inteligência fina e rara.

O senhor Engenheiro, como era conhecido no banco onde entreguei anos e anos da minha vida e de onde fui liminarmente despedido por três cretinos que hoje estão nas sombras da vida, todos eles.

Acontece.

Não existem banqueiros inocentes. Em nenhuma parte do mundo.

Podem ser competentes, E quase todos são.

Cinzentos todos.

Discretos sempre.

Influentes os melhores.

O Senhor Engenheiro foi tudo isso.

Acrescento ainda um beato ridículo e enredado numa teia de tubarões ingratos, porque ingratos todos foram, foi traído por toda a gente que sempre soube servir e de que se serviu habilmente.

Nunca perdeu a face.

A lei protege sempre esta execrável gente.

E lá está o Luís Osório com a sua voz mansa a branquear tudo, de uma forma agradável e quase penitente, qual beato recém-convertido a Jesus e ao Capital, que para certa sinistra gente é o mesmo.

Esqueceram-se dos vendilhões do Templo.

O Engº Jorge Jardim Gonçalves é uma personagem fascinante. Profundamente omisso com os factos, com a verdade dos mesmos e com a dignidade de ter deixado tantos milhares de pequenos acionistas falidos, sem um pingo de mágoa.

Gostei do livro.

Comprei-o por obrigação.

Li-o com bastante divertimento e revolta.

Estranha mistura.

Gosto disso.

Estou a começar a escrever a biografia do Álvaro Órfão.

Temo-nos divertido.

Como Jardim Gonçalves, o nosso Presidente lembra-se do dia, da semana, do mês, do ano e do local.

E dos nomes.

Só que eu não me chamo Luís Osório, nem escrevo a soldo.

É natural que as coisas não apareçam com a fofura do conveniente e do politicamente correto.

Entre dois homens frontais, só pode aparecer mesmo a verdade.

Sem filtros.

Tão diferente daquilo que interessa ser dito, até porque de nenhum ajuste de contas mansinho se trata.

O título da biografia do senhor Engenheiro da Opus Dei chama-se:

“o poder do silêncio”.

Pode muito bem ser que o título da maravilhosa estória de vida do deputado à Constituinte, seja:

“o poder da frontalidade”.

Pode ser que faça toda a diferença.

No próximo ano, muito nos vamos divertir.

Eu e o Álvaro.

A troco de quê?

Da verdade.

Basta-nos.

Aos dois.


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