A soberba da Indiferença.
Que me desculpem meninos, mas, nesta nossa vida, tudo conta.
Até a mediocridade. Talvez porque tenha tomado conta de tudo o que nos cerca.
Irritam-se tanto comigo vocês os três, quando me detenho
sobre o que consideram não ter qualquer importância.
Estão errados.
Nunca devemos demonstrar indiferença perante os parvos, a
parvoíce, a mediocridade, a simples maledicência, o ressabiamento, a inveja
breve ou aguda.
É que tudo isso interessa. Aliás sempre interessou. Caso
contrário vai tomando conta de tudo. Infesta e corrompe.
Por isso respondo a anónimos disfarçados de gente de bem, a
canalhas, a putas do sistema, a políticos medíocres e mentirosos, a dirigentes
associativos hipócritas e frustrados.
É que toda essa gente nada constrói. Trepa à sombra dos
outros a quem pensam lhes devem vassalagem e agradecimentos breves e ridículos.
A indiferença, por vezes é um ato de soberba.
Nunca devemos manifestar ausência de inquietação com a falta de
princípios seja de quem for ou vinda de quem vier.
Nunca devemos ser assim, meus amores.
O que deve ser dito, tem de ser dito.
E, se acaso estivermos errados sujeitamo-nos ao contraditório.
É simples.
A vida sempre foi uma coisa simples.
Haja coragem, valores e princípios.
Que vos procurei transmitir, tal como me fizeram a mim.
Vocês são a 5ª geração de Teodósios na Vieira.
Que saibam honrar as que vos precederam.
Só vos desejo isso.
Cada um de nós tem o seu temperamento, é certo.
Por exemplo, eu sou completamente diferente do vosso avô
Armando nesse aspeto.
Mas, nem ele nem eu, nunca viramos, com indiferença altiva, a
cara para o lado do que errado estava e sempre esteve.
Vocês são meninos bons e bem formados.
Continuem sempre assim.
E sofram para aí à vontade, apenas para serem leais a vocês
próprios.
É que não há nada mais gratificante na vida.
Encostar a cabeça à almofada e adormecer profundamente e em
paz.
Só quem caminha com uma consciência limpa o consegue.
Ninguém mais.
Ninguém mais.
Acreditem.



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