Parabéns Doutor Cunhal.
Hoje o Camarada Álvaro Cunhal celebraria o seu aniversário.
Não sei se o meu pai era ainda comunista no dia em que Cunhal
foi preso no Coimbrão. Não sei e sinceramente não me interessa. É um facto completamente
irrelevante.
Sei, porque me contaram todos cá nesta mágica casa que vou
deixar definitivamente para a semana, que todos sofreram imenso.
Porque era uma figura respeitadíssima por todos os democratas. Comunistas e não comunistas.
E assim continuou a ser até ao fim da sua vida.
Nunca se confundiram as coisas por aqui.
Nunca.
Essa enorme figura que o Estado Português ainda não teve a
decência de conveniente e justamente homenagear, nem a título póstumo, faz-nos
hoje uma enorme falta.
A coragem, a decência, a inteligência, a educação e profunda
delicadeza e claro o seu papel na construção de um Estado democrático, evitando
uma guerra civil nunca foram reconhecidos por todos aqueles que tudo lhe devem.
Começou a morrer por dentro com a queda do muro, o que, bem vistas as coisas, foi normal.
Afastou-se.
Recolheu-se numa profunda tristeza de quem acaba
de perder tudo em que sempre acreditou.
Honro a sua memória, sentindo que se alguma vez me inscrevesse
num partido político, agora, com 57 anos, seria no Partido Comunista Português. É
que estou completamente cansado de partidos sem ideais e sem sal.
Nunca me inscreverei mais em nenhum partido político, até porque estou velho demais para isso, mas se assinasse um novo cartão de militante seria num boletim do PCP, sem qualquer dúvida.
Paz à sua Alma Dr. Cunhal.
E se encontrar por aí o meu velhote dê-lhe um enorme abraço por mim. Ele gostaria de saber que o enviei por si.



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