Marchar ao Lado.
Se hoje fosse deputado da república, facilmente todos me
veriam a almoçar na cantina do Parlamento nas mesmas mesas do pessoal do PC, do
Bloco, do Livre e do PS, naturalmente. Por oposição, eu nestas coisas prefiro
comer sozinho a partilhar o mesmo espaço (já basta o mesmo tempo!) com a
fascistaria reinante ou com os neo-liberais disfarçados, porque fascistazinhos
todos parecem ser.
Repudio toda essa triste gente que por lá anda no PSD, CDS e
IL.
Considero-me um tipo divertido, que adora provocar os
sportinguistas, quando perdem, os comunistas, quando atacam, os bloquistas
quando exageram, mas respeito imenso todo esse pessoal. É verdade.
Por exemplo, na passada sexta-feira, assisti, em direto, a
toda a apresentação das listas da CDU e troquei mensagens com o camarada Sérgio
Silva e com a Maria Loureiro. Mensagens sinceras. Disse o que não gostei e o
que gostei mais.
É assim que entendo a política. Com elevação, com respeito e
frontalidade democrática.
Quando fiz anos, como já aqui deixei escrito, partilhei a
minha mesa com os dois primeiros candidatos das listas da CDU em minha casa na
Nazaré.
Estava eu a preparar as brasas para o meu compadre Rui
começar a assar sardinhas para o pessoal todo, aparece-me a Maria com o seu
capacete da brutal mota que possui e estende-me um presente.
“Toma lá Paleque. Não sabia o que te havia de oferecer.
Espero que gostes!”
Era um livro do Soeiro Pereira Gomes. “Esteiros”. Eu tenho
esse livro em casa. Era do meu pai. Nunca o li. Só sabia de cor a dedicatória
que o autor escreveu: “para os homens que nunca foram meninos”.
Um pormenor engraçado é que aquela rapariga embrulhou o livro
num bocado de jornal ‘O Avante’ e pôs-lhe um laço vermelho enorme. E estava com
um ar de gozo tremendo a oferecer-me essa ‘provocação’.
Adorei.
Não gosto de gente sem sentido de humor, sem inteligência para
ripostar a breves provocações não ofensivas. Não gosto. Penso sempre que se
tratam de pessoas algo estúpidas ou com um coeficiente de intolerância sem
tamanho. Talvez esteja certo.
Há poucas horas troquei umas impressões sobre ressabiamentos
e gente ressabiada. Confesso também, não apreciar essa fauna. Normalmente
imbuída de invejazinhas da treta e vaidades do enorme tamanho do seu dilatado autoconceito.
A campanha autárquica, bem vistas as coisas, ainda não
começou.
Muita água irá passar debaixo de muitas pontes.
Desconfiem sempre daqueles que nunca têm vontade de rir,
porque do alto do seu pedestal, como não são, desta vez, protagonistas, não
acham graça a nada.
Um bom político, seja de esquerda ou de direita, tem de ser
capaz de rir. Nem que seja de si mesmo. E não, não estou a falar do Aurélio,
porque esse passou quatro anos a rir para as selfies. E riu do mesmo e do seu
contrário. Não me refiro a esse aprendiz de feiticeiro.
Quanto aos carrancudos do Chega, que estão sempre zangados
com o mundo, nem comento. Adianta pouco. Já àquela meia-dúzia de escondidos
atrás dos arbustos, só à espera do desaire do seu partido, onde ainda militam,
desejo-lhes apenas calma. Isso passa. Depois da vitória do PS, serão os
primeiros a aparecer para os efusivos abraços de ocasião. Tão típicos dessas
circunstâncias festivas.
PS:
Não sou nem militante do Partido Socialista nem candidato a rigorosamente lugar nenhum. Nem como suplente. É que, por vezes, importa dizer o óbvio, não vá, como é costume, um gajo ser mal-entendido.



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