Segunda-feira, dia 11 de agosto.



Na segunda-feira vou à reunião do órgão, como eles gostam de dizer.

A democracia que tão doente se encontra, ainda tem alguns ‘rituais’ importantes, que todos devemos saber aproveitar. São pequenas ‘escapatórias’, que o regimento das reuniões de Câmara nos permite utilizar para que a voz do povo se tente fazer ouvir. 

Num tempo em que quase ninguém ouve, porque quase toda a gente grita, vocifera e odeia em abundância, truncando factos e verdades por mentiras torpes e canalhas, estas cirúrgicas formas de agir, nunca devem ser menosprezadas. Caso contrário, ficaremos entregues aos senhores Virgílios deste Concelho!

Todos os tiranetes desta vida têm tido sempre grandes plateias, onde manifestam em concertada ausência de memória, o mais elementar desrespeito e indignidade, com todo o seu desprezo pelos antigos valores do humanismo e do iluminismo fundador da integridade, da igualdade, da solidariedade e da inclusão. Tudo o que de mais digno na sociedade ocidental foi construído nos últimos dois séculos é sistemática e ‘agradavelmente’ posto em causa por uma turba de mentirosos, incultos, azedos e complexados do sistema.

Para quem nunca leu ‘a República’ de Platão, nunca nada pode compreender. Uma obra com mais de 2.000 anos. Para quem nunca entendeu a génese de todos os autoritarismos e o que sempre esteve nos seus contínuos aparecimentos, convive divertidamente com o atual estado de coisas.

Somos cidadãos numa sociedade que sempre foi desigual. Mas somos ou deveríamos ser cidadãos comprometidos com a nossa comunidade, com os certos valores, com a verdade, com a culpa e os erros cometidos no passado, mas com o dever absoluto do compromisso. Connosco, com a nossa comunidade, com a nossa terra e com todos os seus anseios e legítimos direitos, sonhos e interesses.

Tudo isto deveria ser uma obrigação de todos nós.

Mas, não tem sido.

Atarefados e exaustos que todos estamos com o ‘rame-rame’ da vida, das prestações aos bancos, das exageradas horas de trabalho, dos filhos e de todas as vicissitudes de quem os tem, todos temos ficado anestesiados e por decorrência, alheios e permeáveis a todos os desmandos daqueles que nos servem, porque para isso eleitos foram. 

Para nos servir.

Este executivo municipal, ainda em funções por intermináveis dois meses,  andou a brincar com as nossas necessidades e com o nosso futuro.

Fui, pela primeira vez na minha vida a duas reuniões de Câmara no início de 2022 para abordar a urgência da constituição da Área de Reabilitação Urbana na minha freguesia.

Passei dois anos a ouvir descaradas mentiras deste presidente, até que, passados dois anos, num assomo de verdade, destaca uma técnica superior 'emprateleirada' para dar início a esse trabalho, contratando em simultâneo, uma assessoria externa por um simbólico valor e, de repente, este desiderato de anos e anos foi fácil e rapidamente resolvido.

Nunca assumiu as 'fake news' ditas em abundância anteriormente.

Há muitos, mas muitos tristes exemplos de assim terem agido ao longo destes intermináveis quatro anos.

Na segunda-feira lá estarei, para fazer uma simples pergunta a esta lamentável gente que desgoverna o concelho da Marinha Grande.

Até posso antecipar a ou as respostas. Não é esse o objetivo deste texto.

Porque, bem vistas as coisas, as respostas à questão que irei colocar não existem.

Cumpre apenas uma função a minha ida à ‘reunião do órgão’, mostrar a todos que, em democracia, nunca devemos desistir dos nossos direitos, mesmo que se limitem a ser uma coisa breve. O direito a sermos ouvidos e a falar em liberdade. Com verdade, com propósito e com um objetivo - defender os nossos direitos coletivos de uma comunidade que atrofiada foi por tão mau executivo!

Até segunda.  


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