O mais humilde entre os humildes.


 

O Zé d´Amor foi um vieirense notável.

O IDV deve-lhe muito. E sempre o soube, até porque na Vieira, a memória nunca foi uma palavra vã.

Por isso lá estará para sempre o seu nome aposto na entrada principal do meu clube do coração.

Contei a sua história, aos meus filhos, como todos nós o deveriam fazer.

Um homem simples, que adorava o futebol e o Industrial Desportivo Vieirense acima de tudo.

Foi tudo naquele grande clube.

Um dia no Largo da República depara-se com o Comendador Albano Tomé Féteira. Homem rico de entre os mais ricos homens que a Vieira conheceu e resolve abordá-lo, com humildade e sabedoria e diz-lhe mais ou menos isto:

“o senhor Albano é tão rico que se oferecesse aquele terreno, onde o Vieirense treina e joga ficaria para sempre ligado à história do nosso clube. Para sempre. Para si não é nada. Para o nosso Vieirense, seria tudo. Eu nunca passarei do Zé d’ Amor. Roupeiro, treinador, organizador de jogos. Serei sempre o Zé d’ Amor, já o senhor poderia ser o grande nome do Industrial Desportivo Vieirense”.

Foi o Aurélio Gouveia quem me contou esta história, há muitos anos.

O fim deste episódio todos o sabemos.

O IDV sempre foi um clube bem gerido.

Com muitos ‘altos’ e muitos ‘baixos’ como todos os clubes.

Os terrenos foram doados pelo senhor Albano Féteira e são hoje propriedade plena daquela Associação desportiva que tem, o maior património de todos os clubes desportivos da Associação de Futebol de Leiria. Sem ónus nem encargos.

Cumpre, pela mais elementar justiça, fazer uma breve menção ao seu Presidente Afonso Henriques Pedro, com as obras que sonhou e realizou, à Isabel Gonçalves e ao Nuno Simões que as acabaram de pagar, mas que sem o impulso absoluto do Zé d’ Amor, nunca nenhuma destas realidades teriam sido possíveis.

Hoje li um comunicado absolutamente sabujo de um diretor do ACM, clube muito mal gerido por diversas direções que por lá têm passado.

Importa dizer que as manifestações de solidariedade ‘momentânea’ nunca devem ser condicionadas a contrapartidas de atos eleitorais internos e colaterizadas seja pelo que for, porque se assim forem ou tivessem sido, de ajudas nunca se trataram, mas de um negócio de conveniência esporádica e oportunista se trataram todas.

Nunca me dei bem com sabujos, medrosos e cúmplices da vida. Nunca!

Tenho cada vez maior orgulho das Associações da minha terra. Bem geridas todas. Sem esquemas, sem chico-espertices e sempre com os olhos postos no futuro e com os pés no chão.

Os sócios, dirigentes e ‘bem-feitores’ de araque do ACM deveriam repensar a sua forma de ser para se poderem reposicionar, com uma perspectiva de realidade, e saber desenhar o futuro da sua Associação.

Sem medo de dizer e fazer o que deve ser feito e dito.

Sempre detestei quem dá com uma mão e tira com a outra.

Foi exatamente isso que fiz quando dirigi durante 19 anos a BIP.

Quando dei com uma mão, não retirei com a outra. Nunca comprei eleições, nem fiz alarde das minhas manifestações de solidariedade.

Sei que há quem o goste de fazer.

Que a terra lhes seja leve.

Já quanto aos serventuários, … que longa distância os separa do grande Zé d’ Amor! Homem integro, limpo, decente, que tem o seu nome para sempre numa pequena rua ao lado da que tem o nome do meu pai com quem aprendi tudo e mais alguma coisa na vida.

Por baixo do nome dos dois vem escrita a palavra “Associativismo”.

Orgulho enorme!   


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