God Bless America!
“Glória a Deus nas alturas! E paz na terra aos homens de
boa-vontade”
Lucas, 2:14
Confesso, sem qualquer pudor, que nos últimos meses me tenho
abstido de canais noticiosos. Limito-me a consultar as informações na net, e
leitura de alguns artigos nacionais e internacionais que me vão enviando.
Talvez por isso, dei por mim, com uma visão bastante
simplista dos conflitos internacionais, sem contudo ter perdido a noção de que
a verdade, nestas coisas, está sempre muito para além das ‘verdades’ que a
comunicação oficial (e não verdadeiro jornalismo – porque de mera propaganda se
tem tratado -, como hoje escreveu e bem a historiadora Raquel Varela), nos
pretende impingir.
Curiosamente, apenas pelo interesse no jogo do Benfica com o
Atlético de Madrid, liguei a televisão e depois daquela vitória tremenda,
deixei-me estar com a televisão ligada, após os primeiros comentários do jogo.
Virei depois para a SIC Notícias.
Não fazia a mínima ideia que este pobre país tinha tantos experts em geopolítica e complexas estratégias militares internacionais pensadas e partilhadas com os oficiais tugas, acerca dos conflitos no Médio Oriente!
É estranho, quando num país com a maior proporção de Generais por praças do
mundo (uma média de um General por 70 praças), consegue não ter Forças Armadas dignas desse nome, mas em simultâneo,
produz tanta e tão boa ‘inteligência’ militar de elite.
Depois e a par disso, aparecem também umas caras novas na SIC, especialistas em Médio Oriente, talvez porque
pertençam a Universidades com linhas de pensamento pró EUA e seus proxis.
É assustador. Para além do ridículo José Milhazes, que também
é chamado a palco para falar de Israel e do mundo Árabe.
Enfim. Fiquei esmagado, com tanta e tão boa massa cinzenta
lusa, com altas patentes nitidamente a ‘salivar de prazer’ quando questionados
sobre o que aconteceu, porque aconteceu e, e nesta fase é que a Generalada
saliva a sério: “o que pensa o sr. General que irá acontecer no imediato?”.
Arrisco-me a dizer que 90% das opiniões a que tive o enorme desprazer
de assistir hoje, vindas deste estranho triunvirato televisivo de Carnaxide: (jornalistas, Especialistas e Militares de alta patente), 90% são pró Israel,
diabolizando, omitindo e truncando a realidade tal como ela é. Mesmo para mim,
que tenho acompanhado com pouco entusiasmo todo(s) estes conflito(s).
Deduzi rapidamente que nos restantes canais, a treta deve ser a mesma.
Senti alguma vergonha, por viver num país democrático, com uma dita
informação livre mas que, afinal de contas, é totalmente enviesada e maniqueísta.
Ocidente (os bons) versus Árabes (os maus), Europa (os Bons),
Putin (o único mau).
O problema da propaganda sempre foi a existência da ‘inquietude’,
ou seja, da dúvida daqueles que se recusam a deixar de pensar pelas suas
cabeças.
O problema de todas as ditaduras (e neste caso da informação)
são aqueles que amam a liberdade. Já o problema dos fanatismos religiosos, são
aqueles que não desdenham a religião dos outros, mas respeitam igualmente quem tenha
optado racionalmente ou não, por não ter religião nenhuma.
Em conclusão, tudo me pareceu muito, mas mesmo muito mal
contado.
No entanto, de uma coisa estou certo, nada será como dantes, …
e a velha Europa onde nasceu a democracia, o Renascimento e o Iluminismo, esqueceu-se
dela própria toldada pelos interesses, pelo dinheiro, pelos extremismos e por
uma enorme e avassaladora hipocrisia que tudo envolve e amordaça.
O berço de todas as civilizações, nascidas entre os rios Tigre
e Eufrates, a zona dos 3 Livros Sagrados que dominam o mundo estão entregues,
há décadas, a um ódio, que, nunca teve nada a ver com Deus.
Deus, para quem Nele acredita, limita-se a ser Amor, conforme
vem escrito no Evangelho de São João.
Esse ódio tem sido acirrado, alimentado e comprado por uma cínica democracia
de apenas dois séculos com dois partidos, (ambos de direita), que tem como sua
divisa primeira “In God We Trust”. Estado laico, como se vê!
Viva a América com toda a sua soberba e falso moralismo que
conseguiu produzir as aberrações geopolíticas que conhecemos desde o fim da Segunda
Grande Guerra!
Não sou um tipo maniqueísta, que acredita que de um lado
estão os bons e do outro os maus. Só me parece que todos estes bonzinhos de pacotilha, a quem
todo o establishment mediático ocidental europeu tem vergado a cerviz, têm
estado a ‘soldo’ dessa gente. Sem passado milenar, com fraca cultura, onde têm ‘civilizadamente’
coabitado com todas as mais primárias formas de saber justificar e conviver, ainda
no século XXI, com a pena de morte, o tráfico e posse de armas e todos os
extremismos religiosos que permitiram eleger um anormal perigoso de seu nome
Donald Trump.



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