A Cultura dos Dupond & Dupond e outras coisas estranhas.

 


Em termos bastante simplistas, para mim, existem três formas de estar na vida: ou estamos contra ou a favor ou em silêncio indiferente o que significa o mesmo que a absoluta cumplicidade com o estado de coisas e do tempo que passa diante de nós.

Sempre preferi a dicotomia do ‘a favor’ ou ‘do contra’. Silêncios aparentemente indiferentes ou cúmplices nunca foram para mim. Penso a indiferença circunstancial, uma postura inqualificável, oportunista e por isso mesmo asquerosa.

Nada tenho contra a iniciativa privada. Mesmo nada.

No caso da política cultural da Casa da Cultura Teatro Stephens, é publico conhecimento que atualmente é uma empresa privada que dirige, coordena e executa todas as atividades culturais do município.

Todas as estranhas e inusitadas dúvidas levantadas em reunião do executivo pela Vereadora Alexandra Dengucho acerca desta empresa privada que serve também o Município de Ourém (de onde recolhi diversas opiniões, nada favoráveis, diga-se) ainda não tiveram (nem irão ter) qualquer resposta. Até aqui nada de novo. Todos os documentos solicitados que deveriam ter sido apresentados nessa mesma reunião (ocorrida há meses) ainda não foram presentes ao Orgão, como eles gostam de chamar ao executivo. Estranho, como sempre, a falta de repetição desse legítimo pedido de informação.

Todos os quatro Vereadores da dita ‘oposição’ rejubilaram e ‘parabenizaram’ (estranha palavra que o português de Portugal não contempla no seu léxico), este infeliz executivo aquando do anúncio da inclusão do Teatro Stephens na Rede Nacional de Teatros, sem antes terem procurado saber, quantas e quais as faltas à verdade e ao rigor das circunstâncias (então existentes) foram cometidas no preenchimento dessa candidatura.

Toda aquela gente se sentiu esmagada com tão indiscutível sucesso alcançado pelo executivo em funções. Tudo isto se reveste de um provincianismo sem tamanho. Mas pronto, ok, é o que temos. Nada contra. Nada a favor. Cada um tem o que merece, como diz o povo.

Esta primeira página do único jornal concelhio diz tudo acerca do modo e da forma como se ‘truncam’ realidades, pagas em anúncios de meia primeira página. Nada de novo. É assim há anos e anos.

Quem aferiu e proferiu a isenta frase: “a melhor programação cultural de sempre?”

Quem se dá ao luxo de ser juiz em causa própria? O MpM e o jornal que corrobora e amplia sempre tudo o que o dinheiro vai conseguindo pagar.

Num executivo ‘caracterizado’ pela procura da objetividade com recurso constante a ‘critérios isentos’, quais foram então os critérios para sustentar tão soberba e ridícula constatação?

“A melhor programação cultural de sempre!”

Alguém disse, por exemplo, que dois espetáculos houve que já foram cancelados por não se ter vendido UM BILHETE sequer? Realidade nunca registada anteriormente! Não. Ninguém disse. Essas coisas não se dizem, nem se procuram saber por esta 'patusca' oposição. 

Confundir quantidade com qualidade também parece ter-se tornado marca para toda esta gente!

Já alguém pesquisou, nos números, fazendo a inevitável relação comparativa custos de espetáculos versus bilhetes vendidos? Não. Não fez. Na Marinha Grande aceitam-se estas ‘parangonas’ e segue-se em frente como se nada fosse questionável.

O Mpm encontra-se a cair de podre, como toda a gente já constatou. Talvez por isso se pudesse evitar escrever certas coisas. Já não faz falta alertar consciências breves e distraídas para a realidade política atual.

Este tema da programação cultural do Teatro, sobre o qual não deveria escrever uma palavra que fosse, por óbvias razões, reporta-se, no entanto, de um conjunto tão dilatado de mentiras, imprecisões e falácias que simplesmente me obrigam a registar publicamente a minha opinião, porque como deixei expresso no início deste texto, detesto todos os silêncios e indiferenças cúmplices com o mainstream vigente.

Fiquem lá com “a melhor programação cultural de sempre” e sejam muito felizes com isso!

Já agora, a moderna sala do Cine Teatro Actor Álvaro na Vieira continua às moscas há 3 anos, apesar de possuir a melhor acústica de todo o concelho.

Talvez a dupla Dupond & Dupond não saiba nada acerca da mais antiga freguesia do concelho que possui esta infraestrutura cultural e prefira o jardim do Palácio Stephens, nomeado pelos próprios de forma bastante eloquente e assaz ridícula de ‘cantinho da cultura’. Porque tem a Biblioteca Municipal, o Arquivo, o Museu do Vidro, o Teatro e a Galeria Municipal. Tudo obras deste executivo como é sabido (!!!!) e não dos diversos executivos socialistas e do último executivo comunista que concebeu e inaugurou a Galeria Municipal, que, como vociferam os Mpmistas em 20 anos nada souberam fazer.  

Presunção e água benta, cada qual toma a que quer!

Pois, parece ser o caso desta gente que desencantaram em Ourém, como tanta e tanta outra, que por lá vai pululando nos gabinetes e chefias diversas, registando uma incompetência, inoperância e total inércia. 

Vá lá saber-se porque ainda são mantidos em funções. Talvez para evitar pagar as legais indemnizações, que têm jurado (mentindo descaradamente) não lhes serem devidas.

Até neste simples tema a oposição tem sido completamente inútil, porque totalmente impreparada e invisível. Vai-se contando, por vezes, com a CDU, porque, de resto é a pobreza e a mediania absoluta do costume daqueles que agora desejam, voltar para os braços dos que desprezaram, omitiram informação decisiva e importante para se poder fazer oposição e continuaram sem qualquer vergonha a seguir um rumo próprio, a usufruir agradavelmente das suas prebendas, a dar o dito por não dito, desgarrando-se do partido que deles fez gente (politicamente falando) porque de dois 'nubis' se trataram sempre. 

Quem está a puxar agora esta gente para dentro do partido que renegaram e para o seio de pessoas a quem cuspiram na cara, como quem parte o prato onde lhe foram dadas todas as sopas? 

Quem e porquê tem interesse neste volte face e triunfal regresso daqueles a quem um dia chamaram putas?

Vale bem a pena pensar nisto. 

Podem, porque legitimo é perguntarem-se: "este gajo escreve estas coisas porquê? Não ganha nada com isto. Só perde!"

A resposta é simples e curta:

Porque alguém tem a obrigação de as escrever! Importa sejam ditas e lidas por muita gente. E isso, eu consigo, para grande desgosto de alguns visados.


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