ADPV

 


“Não vá o sapateiro além do chinelo.”

Parece ter sido exatamente isso que eu, um vulgar sapateiro, acabei de fazer ao mencionar o sagrado e intocável nome da mui respeitada, nobre e recém-criada (não inventada) Associação para o Desenvolvimento da Praia da Vieira.

Poderia, muito resumidamente, sintetizar as causas da invenção e/ou criação da Biblioteca de Instrução Popular, do Industrial Desportivo Vieirense, dos Bombeiros Voluntários da Vieira ou do Jardim dos Pequeninos. Tal como da quase centenária Biblioteca de Instrução e Recreio da Praia da Vieira.

Todas estas antigas e respeitadas Associações têm uma história, isto é, um motivo, uma origem para a necessidade de terem sido inventadas e/ou criadas pelos seus fundadores.

Se disser, por exemplo, que a génese da fundação dos nossos Bombeiros foi um incêndio numa casa de habitação nos Outeiros, onde morreram queimadas duas crianças, alguém conhecia este facto?

Ou da BIP e da BIR, que foram inventadas e/ou criadas para combater o analfabetismo e abrir horizontes ao livre pensamento dos seus sócios, através da facilidade de acesso aos livros e a autores diversos?

O IDV, foi inventado e/ou criado duas décadas antes da União de Leiria, por exemplo, para promover a prática do futebol e afirmar a Vieira nessa modalidade, fora das fronteiras da nossa freguesia.

Todas as Associações quando são inventadas, isto é, pensadas, tiveram todas na sua génese um nobre e claro objetivo.

Todas, sem exceção.

O mesmo aconteceu e acontece, porque os primeiros tempos se vivem ainda, com a recém-criada ADPV.

Até aqui, nada de novo.

As Associações, tal como as pessoas, têm uma história e um processo natural de crescimento. A ADPV está, obviamente, a dar os seus primeiros passos.

Penso que a esmagadora maioria dos seus fundadores se sentiram impelidos a unirem esforços com o objetivo primeiro de Desenvolver a sua Praia, exponenciando todas as suas, que são imensas, potencialidades. Naturais, geográficas, ambientais, turísticas, culturais, históricas, sociológicas e antropológicas.

Esse, no meu modesto entender, deverá ter sido o elo que fez unir toda uma cadeia de diversos elos, que são todos e cada um dos seus elementos.

Daí a minha óbvia inquietação. Quais são os desígnios sonhados, estudados, amplamente discutidos (porque o devem ter sido) em todas (e muitas foram) as reuniões preparatórias para a formalização desta Associação, agora oficial, com estatutos devidamente aprovados e Orgãos Sociais eleitos e em funções.

Esta é a única pergunta que faço.

Que horizontes de Desenvolvimento pretendem atingir e como os pensam ultrapassar?

Provavelmente, excedi-me. Peço desculpas por isso. Logo eu, que não tenho curriculum válido para apresentar nestas andanças do voluntariado e do Associativismo, porque, naveguei sempre à bolina (?), sem ter horizontes (?) e objetivos claros (?), definidos (?), discutidos e aprovados. Logo eu, caramba! Um tipo desorganizado (?) e sem trabalho digno de qualquer merecimento, porque "nunca" (?) planificado.

Peço desculpa pelo meu atrevimento!

Não se volta a repetir, podem estar certos. Ainda mais, porque, segundo alguns, o voluntariado e o Associativismo nada têm a ver com política.

Peço desculpa de novo. Vocês, não fazem política. É verdade. Não são esses os vossos intentos. E "têm" razão em não querer fazer política! A atentar no que se observou até agora, nunca poderiam ser.

A Política deriva da palavra grega – PÓLIS - isto é, a preocupação com a gestão,  desenvolvimento e defesa dos interesses da cidade.

Este conceito ou melhor este nobre conceito, que ainda hoje é o meu, define a política tal como a entendo. Por isso sempre digo aos meus filhos que a Política é a mais nobre de entre todas as mais nobres atividades humanas, porque quem a pratica, trabalha para os outros e pelos outros.

Atualmente, com todos os defeitos que caracterizam a nossa sociedade, passou a ser uma palavra com outro significado. Rodeados e 'atormentados' pelo consumismo, pelo efémero, pelo ridículo, numa sociedade sem valores nem esperança, totalmente maniqueísta onde pululam cada vez com mais força e forma todos os populismos; a política e quem a faz, passou a ser considerada uma atividade totalmente desprezível. E os ´políticos' uns vulgares canalhas e cretinos. Talvez para aquele milhão de portugueses que se reveem neste perigoso e falso conceito.

Foi até aqui que chegamos.

Tenho de vos pedir perdão. De facto, a ADPV, não faz política. Peço desculpa pelo meu excesso de linguagem.

Gostaria, no entanto, e daí o meu post anterior, que alguém dessa prestigiada Associação, me dissesse de forma simples, mas mesmo muito simples, "só" para eu tentar entender, qual o projeto de Desenvolvimento que concluíram necessário para a nossa Praia da Vieira.

Penso que não é pedir muito.

O que sonham para os próximos 10, 20, 30 anos? É que todos os conceitos de Desenvolvimento que conheço têm objetivos distintos e prazos diversos, envolvendo um denominador comum, que será, neste caso, a Praia da Vieira e todas as suas potencialidades devidamente esboçadas, pensadas, livremente discutidas e apresentadas a quem as possa ajudar a concretizar.

Tal como nas palavras de Jesus Cristo: “A Deus o que é de Deus e a César o que é de César”.

Não creio, porque absurdo seria, não existir esse ‘esboço’ de enquadramento integral de todas as, chamemos-lhes, necessidades materiais e imateriais, que abundam em grande força na nossa história coletiva e no espaço/tempo ‘Praia do Liz’.

Essa ‘Carta Fundacional’ da ADPV, só pode existir. Aliás, tem de existir. Vou mais longe, deveria ser do conhecimento de todos, até dos nossos autarcas porque, "a Deus o que é de Deus e a César o que é de César". Caso não exista e não é o caso certamente, a ADPV, corre o sério risco de se transformar numa Comissão de Festas, onde se fazem bailaricos, quermesses, provas de sopas e jogos do prego para angariar uns trocados e poder contratar todos os Quins Barreiros desta vida.

Estou certo, que esse NÃO é o vosso objetivo.

Longa vida para a ADPV e para todos os seus fundadores, mentores e voluntários. Sabem para onde vão, o que querem e como querem alcançar todos os sonhos a que se propuseram atingir.

Peço pois desculpa, mais uma vez, pelo meu absoluto excesso na linguagem que utilizei e que feriu dois dos seus ilustres fundadores, um deles, ex político profissional, porque ex Verador da nossa Câmara, com os Pelouros da Cultura e do Desporto no quadriénio 2005/2009.

A ADPV, tal como a entendo será (ou deveria ser) um 'farol' de ideias a apresentar àqueles que pela força das circunstâncias e das funções que ocupam as possam, como é sua obrigação, concretizar.

"A Deus o que é de Deus, e a César o que é de César". E, para isso, não são necessários esforços inúteis e angariar meia dúzia de euros.

É urgente apenas que se definam metas, tempos e se prove a bondade e inteligência dessas mais que justas reivindicações para o Desenvolvimento da velha e nobre Praia do Liz.

É apenas o que penso. 

Tenho esse direito. Já não concedo a ninguém é o direito de se sentir ofendido com as minhas meras opiniões. Porque de opiniões livres e não indelicadas se trataram todas elas.

Mas, como em tudo na vida, cada um é o que é, o que foi, o que faz e, claro, o que foi até hoje, capaz de fazer. 

Pelos outros, evidentemente.

Comentários

  1. Grande R.A., já te conheço ( julgava que mais gentes ) há tempo suficiente para saber que, pese embora a tua " brutalidade " de discurso, seres incapaz de criticar negativamente o que de bom as tuas gentes fazem pela terra que te viu crescer. É óbvio, apenas consideraste que, meia dúzia de tostões não levam ao desenvolvimento de rigorosamente nada, apenas algum protagonismo.
    É evidente e necessário a UNIÃO de gentes e não de críticas desnecessárias para assim, caminhar contra aqueles que, apenas pensam no pelouro e fotografia social esquecendo completamente a " PÓLIS "...
    A fonte do desenvolvimento necessário está na UNIÃO urgente das nossas gentes para que, se " definam metas, tempos e se prove a inteligência dessas mais que justas reivindicações para o Desenvolvimento da velha e nobre Praia do Liz. "
    O.K.,... não era necessário, seres tão brutalmente correto... forte abraço.

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    1. Grande e velho Amigo Álvaro. Obrigado pela tua análise com a qual não poderia estar mais de acordo. Conseguiste ainda e com toda a verdade ser mais "bruto" que eu pá. Grande Abraço.

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