Quando os nossos começam a partir.
Sempre que alguém nasce, existe apenas uma certeza: um dia
aquele ser morrerá.
Parece simples.
Parece claro.
Parece verdadeiramente aceitável.
Então, pergunto eu, “porque quase nunca é?”
O Fernando foi meu amigo, como tantos e tantos outros. Quase
da mesma idade, das mesmas borgas, das mesmas noitadas, dos mesmos sonhos,
copos e … tantas e tantas ilusões.
Talvez tivesse sido a primeira pessoa que vi autenticamente
feliz, por ter encontrado o seu verdadeiro destino como piloto de caças.
Passaram 30 anos desde essa fabulosa fase que viveu com uma
intensidade só própria de quem se encontrava, acima de tudo o resto, feliz.
…/…
Por motivos de saúde, foi obrigado a interromper o seu
sonho.
Nunca mais foi o mesmo homem.
Nunca mais.
Tal como os aviões que pilotou, partiu a uma velocidade
superior á velocidade do som.
Daqui a poucas horas vou-me despedir deste gajo. Do “meu
tempo”.
Voa rapaz.
Agora já não conhecerás qualquer obstáculo que te faça
desistir e, ainda por cima, tens tantos modelos novos de aviões para conhecer.
Até um dia, Fernando.
Nunca fui um tipo de sonhar pilotar um avião. Posso é estar
à tua espera numa qualquer pista onde estejas prestes a aterrar.
Abraço.
Até breve.



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