HARVEY SPECTOR


Na monumental série da Netflix, Suits, coexistem diversos personagens. Fabulosos todos eles. Trata-se do quotidiano de uma grande empresa de Direito Societário, onde um dos advogados principais se auto intitula “o melhor advogado de Nova Iorque”, simplesmente porque nunca perdeu qualquer caso, nem nunca aceitou trabalhar para corruptos e empresas de índole questionável.

Um dia decide conquistar o CEO de uma grande empresa que tinha acabado de iniciar um processo de escolha de outro advogado. Dada a dimensão colossal dessa empresa, muitos foram os advogados que pretendiam conquistar a confiança do CEO.

Cada advogado trazia diversos power points para iniciar e concluir as suas apresentações.

Harvey Spector, aparece sozinho, com uma autoestima só dele e … não trás nada de especial consigo. Apenas o seu livro de licenciatura da sua classe formada em Harvard.

O CEO estranha tanta autoconfiança e pergunta-lhe porque nem sequer um simples curriculum vitae, nem power point de apresentação, nem rigorosamente mais nada e questiona-o frontalmente com estas palavras: “você acha mesmo que eu o vou contratar só porque veste e calça marcas exclusivas acima dos 3.000 dólares? Você não me conhece pois não? Pode fazer o favor de ir embora.”

Harvey não se sente minimamente intimidado e prossegue desta maneira: “Não só o conheço muito bem, como sei que o Senhor me vai contratar. É que o meu curriculum já o Senhor sabe qual é, caso contrário nem sequer me tinha recebido. O meu power point de apresentação vem na pág. 32 do meu livro de curso. Todos os licenciados por Harvard tinham de escolher a frase que os caracterizava ou então um pensamento que acreditassem acima de todos os outros.”

Abre o livro, procura a página e debaixo da fotografia dele aparece escrito: “a lealdade tem sempre dois sentidos”.

“A lealdade é o valor que tanto o senhor mais aprecia, tal como eu. E é por isso que a discussão agora seguirá para os detalhes do meu vencimento.”

E assim foi. E a maior empresa de corporate law de NY, ganhou mais um enorme cliente.

Toda esta estória tem a ver com a importância de alguns valores sagrados. Sagrados, pelo menos para algumas pessoas.

Em qualquer democracia moderna, existem leis, existem diferentes órgãos e existem regras.

Nos partidos políticos que fazem parte de todas as democracias, também existem Estatutos, Regulamentos, diferentes órgãos e, em todos eles existem direitos e deveres de e para qualquer militante.

No caso do Partido Socialista, por exemplo, abrem-se as portas sempre aos chamados ‘independentes’, porque se pretende sempre congregar os melhores. Há partidos onde esta forma de funcionar tem outras limitações, como é decorrente das diferenças (saudáveis) na democracia partidária.

Dentro deste contexto muito específico do Partido Socialista foi possível apresentar uma lista para o executivo municipal, em que os três primeiros candidatos eram os seguintes: uma militante (Cidália Ferreira) e dois independentes: a Senhora enfermeira Ana Laura Baridó (à época, não militava sequer no partido que a elegeu) e o ‘independente’ Tenente Coronel António Fragoso Henriques (não eleito – após conhecidos os resultados finais dessa eleição). Como a candidata Senhora professora Cidália Ferreira se recusou sequer a participar na cerimónia de posse do executivo em funções, foi cooptado, em substituição, o número três da lista do Partido Socialista para a Câmara Municipal.

Há uns meses, foram eleitos os novos órgãos internos do PSMG, numas eleições disputadíssimas, onde exerceram o seu direito de voto 80% dos militantes com capacidade eleitoral. Dessa votação apurou-se um score de 60% para a lista A e 40% para a lista B. Este processo eleitoral decorreu de forma extremamente civilizada, plena de urbanidade e respeito mútuo.

O PS estava mais unido do que nunca e foram enterrados ‘quase’ todos os “machados de guerra”. Talvez ainda estejam por enterrar uns dois ou três. Nada mais que isso.

A Comissão Política Concelhia foi empossada, bem como o Secretariado do partido, sendo o primeiro (com representação proporcional aos resultados de ambas as listas, o órgão deliberativo e, o Secretariado, o órgão executivo (que só não tem representantes da lista B, porque o seu líder se recusou a fazer parte desse órgão, bem como não indicou ninguém que tenha feito parte da lista derrotada que encabeçou).

Aqui chegados, o PS começa a funcionar, dentro dos estatutos nacionais do partido e promove diversas reuniões, tanto da CPC, como do Secretariado e dos vereadores, bem como com os deputados da Assembleia Municipal.

Há anos que esta vitalidade e organização internas não existiam.   

Importa igualmente contextualizar um facto por demais importante: é que o PSMG “refrescou-se” com novos dirigentes, e pessoas que nunca tinham participado na política. O que, nestes tempos de tanto descrédito que a política e os políticos atravessam é de louvar a capacidade interna do Partido Socialista da Marinha Grande de se renovar e fazer congregar nas suas fileiras jovens profissionais de mérito reconhecido na sociedade civil e que, em bom rigor, não necessitam da política para rigorosamente nada. A única coisa que os move a todos é terem a possibilidade de servir a terra que amam e onde nasceram e vivem.

Todas as regras internas do PS têm sido seguidas à risca desde que os novos órgãos foram empossados. Por isso e apenas por isso, volto com o que comecei: a série Suits da Netflix. “A Lealdade tem sempre dois sentidos”.

Neste caso da votação do orçamento camarário para 2023, essa lealdade (com dois sentidos) existiu?

Nem me atrevo a manifestar a minha opinião.

Limito-me apenas a convidar todos os que leram esta reflexão até ao fim a pensarem pelas suas próprias cabeças. E, caso ainda persista alguma dúvida, visitem a página de Facebook do PSMG, onde consta um texto previamente enviado a todos os interessados.

“A lealdade TEM sempre DOIS SENTIDOS”.


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