HARVEY SPECTOR
Um dia decide conquistar o CEO de uma grande empresa que
tinha acabado de iniciar um processo de escolha de outro advogado. Dada a
dimensão colossal dessa empresa, muitos foram os advogados que pretendiam
conquistar a confiança do CEO.
Cada advogado trazia diversos power points para iniciar e
concluir as suas apresentações.
Harvey Spector, aparece sozinho, com uma autoestima só dele e
… não trás nada de especial consigo. Apenas o seu livro de licenciatura da sua
classe formada em Harvard.
O CEO estranha tanta autoconfiança e pergunta-lhe porque nem
sequer um simples curriculum vitae, nem power point de apresentação, nem
rigorosamente mais nada e questiona-o frontalmente com estas palavras: “você
acha mesmo que eu o vou contratar só porque veste e calça marcas exclusivas
acima dos 3.000 dólares? Você não me conhece pois não? Pode fazer o favor de ir
embora.”
Harvey não se sente minimamente intimidado e prossegue desta
maneira: “Não só o conheço muito bem, como sei que o Senhor me vai contratar. É
que o meu curriculum já o Senhor sabe qual é, caso contrário nem sequer me
tinha recebido. O meu power point de apresentação vem na pág. 32 do meu livro
de curso. Todos os licenciados por Harvard tinham de escolher a frase que os
caracterizava ou então um pensamento que acreditassem acima de todos os outros.”
Abre o livro, procura a página e debaixo da fotografia dele
aparece escrito: “a lealdade tem sempre dois sentidos”.
“A lealdade é o valor que tanto o senhor mais aprecia, tal
como eu. E é por isso que a discussão agora seguirá para os detalhes do meu
vencimento.”
E assim foi. E a maior empresa de corporate law de NY, ganhou
mais um enorme cliente.
Toda esta estória tem a ver com a importância de alguns
valores sagrados. Sagrados, pelo menos para algumas pessoas.
Em qualquer democracia moderna, existem leis, existem
diferentes órgãos e existem regras.
Nos partidos políticos que fazem parte de todas as
democracias, também existem Estatutos, Regulamentos, diferentes órgãos e, em
todos eles existem direitos e deveres de e para qualquer militante.
No caso do Partido Socialista, por exemplo, abrem-se as
portas sempre aos chamados ‘independentes’, porque se pretende sempre congregar
os melhores. Há partidos onde esta forma de funcionar tem outras limitações,
como é decorrente das diferenças (saudáveis) na democracia partidária.
Dentro deste contexto muito específico do Partido Socialista
foi possível apresentar uma lista para o executivo municipal, em que os três
primeiros candidatos eram os seguintes: uma militante (Cidália Ferreira) e dois
independentes: a Senhora enfermeira Ana Laura Baridó (à época, não militava
sequer no partido que a elegeu) e o ‘independente’ Tenente Coronel António
Fragoso Henriques (não eleito – após conhecidos os resultados finais dessa
eleição). Como a candidata Senhora professora Cidália Ferreira se recusou
sequer a participar na cerimónia de posse do executivo em funções, foi cooptado,
em substituição, o número três da lista do Partido Socialista para a Câmara
Municipal.
Há uns meses, foram eleitos os novos órgãos internos do PSMG,
numas eleições disputadíssimas, onde exerceram o seu direito de voto 80% dos
militantes com capacidade eleitoral. Dessa votação apurou-se um score de 60%
para a lista A e 40% para a lista B. Este processo eleitoral decorreu de forma
extremamente civilizada, plena de urbanidade e respeito mútuo.
O PS estava mais unido do que nunca e foram enterrados ‘quase’
todos os “machados de guerra”. Talvez ainda estejam por enterrar uns dois ou
três. Nada mais que isso.
A Comissão Política Concelhia foi empossada, bem como o
Secretariado do partido, sendo o primeiro (com representação proporcional aos
resultados de ambas as listas, o órgão deliberativo e, o Secretariado, o órgão
executivo (que só não tem representantes da lista B, porque o seu líder se
recusou a fazer parte desse órgão, bem como não indicou ninguém que tenha feito
parte da lista derrotada que encabeçou).
Aqui chegados, o PS começa a funcionar, dentro dos estatutos
nacionais do partido e promove diversas reuniões, tanto da CPC, como do
Secretariado e dos vereadores, bem como com os deputados da Assembleia Municipal.
Há anos que esta vitalidade e organização internas não
existiam.
Importa igualmente contextualizar um facto por demais
importante: é que o PSMG “refrescou-se” com novos dirigentes, e pessoas que
nunca tinham participado na política. O que, nestes tempos de tanto descrédito
que a política e os políticos atravessam é de louvar a capacidade interna do
Partido Socialista da Marinha Grande de se renovar e fazer congregar nas suas
fileiras jovens profissionais de mérito reconhecido na sociedade civil e que,
em bom rigor, não necessitam da política para rigorosamente nada. A única coisa
que os move a todos é terem a possibilidade de servir a terra que amam e onde
nasceram e vivem.
Todas as regras internas do PS têm sido seguidas à risca
desde que os novos órgãos foram empossados. Por isso e apenas por isso, volto
com o que comecei: a série Suits da Netflix. “A Lealdade tem sempre dois
sentidos”.
Neste caso da votação do orçamento camarário para 2023, essa
lealdade (com dois sentidos) existiu?
Nem me atrevo a manifestar a minha opinião.
Limito-me apenas a convidar todos os que leram esta reflexão
até ao fim a pensarem pelas suas próprias cabeças. E, caso ainda persista
alguma dúvida, visitem a página de Facebook do PSMG, onde consta um texto
previamente enviado a todos os interessados.
“A lealdade TEM sempre DOIS SENTIDOS”.



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