Maria Fernanda Pinto.


Na vida, a morte de alguém muito próximo ou mesmo até de uma figura que sempre referenciamos, é um dos momentos mais ‘fortes’ e duros que podemos sentir.

A morte detém em si mesma um poder extraordinariamente grande e avassalador, para quem fica.

Sempre tenho dito que é no sofrimento que mais e melhor aprendemos.

O tempo vai passando por mim e cada vez mais vou confirmando esta convicção.

Na passada segunda feira, celebraram-se as cerimónias fúnebres da Drª Fernanda Pinto, uma referência para gerações, um símbolo maior para o Partido Socialista da Marinha Grande e da Vieira.

Uma das melhores de entre os melhores.

Abracei o Presidente Álvaro Órfão, que já com imensas dificuldades físicas lá esteve do princípio até ao fim e segredei-lhe isto: “a falta que o Órfão nos tem feito”.

A nossa Junta fez-se representar a nossa Assembleia de Freguesia também. Assim como a escola que dirigiu durante anos e anos, bem assim como tantos e tantos ex-alunos.

Lembrei-me dos ausentes.

E foram tantos.

Houve reunião de Câmara que poderia ter começado meia hora depois, com a anuência de toda a vereação. Não seria a primeira vez por motivo semelhante.

Lembrei-me dos ausentes. Aqueles que se acham mais dignos que os outros, aqueles que vivem do rancor e de processos de expulsão, aqueles que coordenam secções partidárias, membros da Comissão política Concelhia do PS da Marinha, todos os membros do secretariado da Marinha e da Vieira.

Aos ausentes desse dia resta-me pensar nesta passagem bíblica sublime:

2Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia. 28 Assim, também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.”

Mateus 23:27-28

Um abraço Álvaro Órfão. Obrigado por ter a memória intacta e os mesmos valores de sempre!

Ontem decorreu a última Assembleia Municipal da Marinha Grande e a memória daquela que foi deputada municipal por 12 anos e Vereadora da Câmara por oito, foi esquecida por todos. Pelos seus pares, pela Presidente de Câmara e, obviamente, pelo Presidente da mesa da Assembleia.

São os tempos que atravessamos agora.

Tempos de fraca memória e breve esquecimento.

Infelizes tempos estes. 


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