A Vassalagem e a Liberdade.



Na política internacional existem dois Homens livres: Lula da Silva e Pedro Sanches; na opinião publicada portuguesa, Miguel Sousa Tavares por oposição aos demais.

Na ‘coisa’ local, existem tipos como eu e os outros.

Não estou, obviamente, a fazer quaisquer comparações. Nem poderia. Estou a falar apenas de absoluta liberdade de pensamento e de expressão.

Depois existe o Miguel Morgado, sempre travestido de indignação, vulgo frontalidade e franqueza, mas com agenda própria e interesses definidos. No Brasil existe o imbecil do Bolsonaro júnior, que nem sabe onde fica o estreito de Ormuz e deseja ser, com a graça de Deus, o Presidente do maior país da América Latina.

Na Vieira, existo eu, um bem parido, projeto falhado de sua mãe e, por oposição, o dr. Rui Rodrigues e seus apaniguados, que são, aparentemente, tantos e tantos. Um enorme exército de vieirenses indignados com o que escrevo. Aquela indignação fácil e rápida, porque pretende atacar o que consideram autenticas heresias e barbaridades alarves.

Longa conversa tive eu ontem com a Helena acerca da ‘utilidade’ em me manifestar publicamente acerca da minha terra e sobre os seus protagonistas e falta de projeto que evidenciam.

Tive de lhe dar razão, até porque a tem.

Passei o dia inteiro a pensar naquela conversa, onde ouvi muito mais do que falei.

Aliás, praticamente nem abri a boca o que nunca foi meu hábito.

Mesmo antes de nos deitarmos e depois de um dia brutal de praia, onde praticamente estive sempre calado, só lhe disse:

“há mais de 30 anos que leio com elevado prazer o Miguel Sousa Tavares. Nem sempre concordo com ele. Muitas vezes, até me encontro em patamares diametralmente opostos, mas aprecio-o imenso. Escreve com Alma e defende o que pensa e sente.”

Li quase todos os seus livros e acompanho-o no Expresso, como o acompanhava na ‘Grande Reportagem’.

Dos seus detratores já li e ouvi quase tudo.

Um frustrado pela imensa qualidade dos pais que lhe calharam em sorte. Complexo que nunca 'terá' superado, dizem alguns daqueles que não o suportam e que são imensos. Um bêbado, um bipolar que por vezes 'dá' entrada em São José, com crises terríveis, um mulherengo incorrigível, um homem que batia na recentemente falecida mulher Teresa Caeiro.

Muitos exageros e mentiras li acerca dele.

Um grande escritor e jornalista, totalmente independente, sem quaisquer cerimónias quando defende ou ataca as causas em que acredita.

Ninguém se lhe compara.

Acerca dos seus complexos por ter sido filho de Francisco Sousa Tavares e de Sophia, só me apraz dizer que ninguém tem culpa dos pais que teve. Nem quando foram monumentalmente exemplares, como foi o caso, nem quando foram uns escroques, como noutros casos. Ninguém tem culpa dos pais que teve.

Mas até isso disseram dele.

Homem de diversas paixões, grandes defeitos e grandezas.

Só quem não o leu poderá dizer o contrário.

Gosto de homens com vidas intensas.

E com valores eternos.

O Miguel ama Portugal como eu amo desbragadamente a minha terra.

Desbragadamente.

Há é sempre aquela mediocridadezinha saloia e pacóvia que trunca as coisas, as frases e os lamentos.

Com frases feitas, de aplauso fácil e generalizado pelos cínicos da vida que fazem barulho com as mãos a bater uma na outra e depois chegam a casa e dizem à mulher e aos filhos a sua verdadeira opinião acerca de quem acabaram de aplaudir.

É da vida.

Sempre foi assim. Há milénios que assim é.

E continuará a ser.

Antes de adormecermos, contei à Helena a história do livro ‘Rio das Flores’ do Miguel, como quem conta uma história a uma criança para adormecer.

Li-o na sua primeira edição há muitos anos.

Lembrava-me da história toda.

Resta-me dizer que só depois do fim, adormeceste em paz, mais uma noite, agarradinha a mim.

Um dia Feliz na minha vida.

E tantos têm sido contigo ao meu lado, meu amor.

Comentários

  1. Amigo isso é que é o importante
    Tu e Helena agarradinhos adornecendo. O resto amigo não merecem. Esquece. Beijinhos

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