João.
Todas as noites olho para ti meu amor.
Sabias?
Venho à varanda e vejo a luz do farol da Berlenga.
Nítida, clara e limpa, como o teu enorme coração também é.
Sei, porque sei, que em todos os pores do sol olhas para o
mesmo mar que eu olho.
Todos os dias.
Penso em ti, com seis anos a voltar para casa, divertido, com
a mala às costas,
Rodeado de amigos, sempre a falar.
Com uma mochila maior que tu.
Esperava-te na esplanada do café.
Passavas, davas-me um beijo e seguias, como se nada fosse.
Hoje, à noite, quando olho a luz que está defronte do teu
quarto,
Penso em ti.
No sábado disse, que o António precisa de sorte, embora tenha
enorme talento.
Tu não.
Tu farás a tua própria sorte.
Por isso o Café será teu.
E que ninguém tenha pena de ti.
Estarás pronto para o receber, fazer renascer, crescer e
singrar.
Será concebido pelo António e pelo Manel.
A felicidade que sinto convosco, nunca estará escrita em
rigorosamente lado nenhum,
meus amorzinhos.
Desde 1919, lembras-te?
É muito ano, com 60 de intervalo.
Será teu!

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