Eleições Presidenciais 2ª Volta. Um jogo a três.
Os portugueses vão deparar-se agora com três opções distintas. O
centro esquerda moderado, a direita trauliteira e o ódio puro e duro.
Não sei quem irá vencer. Sinceramente, porque o ódio é a
outra face do amor. E por isso, poderosíssimo.
Ventura, mesmo perdendo irá ganhar, porque irá ter
substantivamente mais votos em fevereiro. É uma grande vitória para ele e para o que representa, mas a soma dos brancos e
nulos será substantivamente superior aos contabilizados hoje,
porque para certas pessoas, ditas democratas e puras nesse nobre conceito, não
serão capazes, por múltiplas razões, votar em Seguro, acrescentando com isso, uma
de 3 coisas simultaneamente: a abstenção, os nulos e os brancos. Que é o mesmo que dizer: “estou-me nas tintas para a democracia”.
É neste Portugal que vivemos agora. O Portugal do ódio
primário, como todos os ódios são e sempre foram.
Povo sem decência nem memória.
Recordo o poema do grande Alexandre O’Neill.
"Portugal
Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjetivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!
Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há “papo-de-anjo” que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para o meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.
Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós . . ."
Alexandre O´Neill
Que vença a democracia.
É só isso que nos desejo a todos!



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