Café Liz. desde 1919.
Esta foto é de 1950.
E hoje, é dia de abrir os braços ao sol que nasce.
Ainda não dormi.
Tenho essa liberdade.
De me deitar e acordar às horas que entendo.
Absoluta e sublime liberdade.
Hoje é dia de abraçar o Sol,
Acabadinho de nascer.
E falar com Deus,
Simplesmente para agradecer
a Vida,
os meus filhos,
os meus cada vez menos, Amigos,
a Lígia,
a Helena,
os meus 4 cães
e muito pouco mais.
Hoje é um dia importante.
Fiz questão de levar o meu Joãozinho, a uma semana de fazer
21 anos,
a uma reunião importante e decisiva para construir o seu
futuro.
Penso que ficou feliz com isso.
Conversei, demoradamente, com o António sobre os cartoons que
me fizeram ontem.
Detestou.
Nem pensei que fosse possível ter-lhes dado tanta
importância.
Já eu dei mais relevo às ausências.
Nestas coisas concentro-me sempre nas ausências.
Não importa.
Nada importa, quando se reveste de pouca ou nenhuma
importância.
Magoa?
Muito!
Também não interessa.
Quando nos habituamos às pancadas da vida, mais pancada,
menos pancada, já pouco ou nada conta.
Mas vamos ficando mais sós.
Talvez mais nós.
Talvez.
No fim da vida, o meu pai dava importância a muito pouca coisa
e já acreditava em muito pouca gente.
Um dia disse-me: “já não ando aqui a fazer nada”.
Foi no Café Liz.
Na mesa do costume entre um café e um cigarro.
Devo ter-lhe respondido com uma frase feita, sei lá.
Um dia, nessa mesma mesa, pedi-lhe para tratar de um trespasse,
porque achava, coitado de mim, que conhecia as pessoas e a sua dignidade.
Aceitou, com toda a calma do mundo e disse-me uma frase: “não
vais conseguir nada com esta gente”.
Tinha razão.
Não consegui nada com aquela gente.
A vida muda, os anos passam, as circunstâncias alteram-se.
Nessa altura, o António estava ainda na barriga da Sandra,
por isso me lembro dos anos desta conversa. Todos os anos. Nunca me esqueci de
nenhum deles.
Não terei necessidade de voltar a tentar um acordo com aquela
gente.
É por isso que amanhã farei o negócio da minha vida que
culminará no novo Café Liz, que existe desde 1919 e continuará a existir.
Sem qualquer acordo com aquela gente.



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