O Candidato Vieira.
Este Tino de Rans, numa versão culta, inteligente e muito
mais engraçada, não é um democrata.
Está-se nas tintas para isso. Vai ter mais de 80.000 votos.
Votos de protesto.
Nada lhe interessa. Até podia ter apenas o dele, mas vai superar isso, com números expressivos, numas eleições em que todos os votos fazem a diferença.
Apenas por 120.000 votos venceu Mário Soares na histórica
segunda volta em fevereiro de 1987.
Caso este gajo fosse um democrata teria entendido a verdadeira essência
do que está em jogo.
Nem quer saber.
Borrifa-se para tudo e para todos.
É que é mesmo a democracia, a Constituição e os nobres e
sagrados valores da Res publica que estão em jogo.
Lembro-me de ir assistir aos espetáculos dos ‘ena pá 2000’ e
dos ‘meninos da avó’ em Santos nos idos de 80, quando estudava lá perto.
Naquela Lisboa cavaquista e intelectualmente cinzenta.
Manel João, poderia e deveria ter posto a nu o sistema podre
em que temos vivido, com a sua ironia e brilhantismo desconcertantes e depois, ter
evidenciado a todos a verdadeira realidade que nos cerca e a importância deste ato eleitoral. Teve tudo para o fazer!
Agora, já não vai a tempo, porque ninguém o vai levar a sério. E
vai ter mais votos que o estádio da luz a rebentar de benfiquistas.
É certo que as contas se fazem no fim.
Regressará à sua vida artística com dezenas de milhares de seguidores que
entre um copo de três amartelado, um ou dois charros e umas bejecas, voltarão
para casa na madrugada de dia 19 de janeiro e para as suas vidas tristes,
perdidos a rir, porque a democracia se compadeceu com imbecis, que são eles
mesmos.
“só desisto se for
eleito.”
Grande frase de campanha.
Podias ter escolhido outra:
“vou até ao fim, porque sou um palhaço. Com graça, mas apenas
um palhacito de merda!”



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