Feliz 2026.
Terminei agora de ver uma série monumental da HBO. 'Rome
Twenty Years.'
Compulsivo consumidor de séries magníficas como sou, só ontem
foram 9 episódios seguidos, ou seja, nove horas, apenas com um pequeno intervalo
para uma pizza e água fresca.
A ascensão de Júlio César e a luta pelo poder num Senado
corrupto, onde pontificava um Tribuno notável. Tão notável na oratória e
influência, como na cobardia. Cícero de seu nome. Autor de frases eternas.
Traições, canalhices com profundo desrespeito pela ‘ralé’ cujos
ânimos se procuravam acalmar sempre com pão e circo.
Após o assassinato de Júlio César com 27 punhaladas em pleno
Senado e em nome de falsas virtudes, surge Octávio, o segundo triunvirato e
consequentes disputas numa luta, como se lhe referia Cícero, de mera perseguição das
eternas vaidades, que sempre presidiram a todos esses tão nobres como podres princípios.
Lembrei-me das presidenciais de 18 de janeiro e de alguns dos
seus principais protagonistas.
Anteontem assisti a um fedelho muito erudito e extremamente
inteligente defender à exaustão (numa conversa de surdO), como única salvação mundial a
monarquia absolutista, depois de ter proclamado os propósitos fascistas e nazis.
Um denominador comum, a absoluta indiferença pela ‘rale’ que, como todos sabemos, trás o mundo às costas há milénios.
Monarquias como a do Qatar e Arábia Saudita entre outros
magníficos exemplos foram tema desse inesquecível monólogo.
Lembrei-me do meu avô António que nas passagens de ano, no café que inventou, convidava toda a gente e oferecia 12 passas de uva e champanhe. Partia uma garrafa no seu balcão de ‘Arte Nova’ na Vieira de 1920 e gritava ‘Viva a República’, Viva a Liberdade’, naquele então sagrado, Café Liz.
Lembrei-me dele porque era um 'louco' e esse era o
seu maior prazer. Gritar o que não podia ser sussurrado. E fê-lo até à sua última Passagem de Ano em 1954. Vinte e um anos de Estado Novo. Vinte e um anos de 'Vivas à República' e 'Vivas à Liberdade' na minha Vieira ... do Liz.
Depois de ter ouvido algumas canalhices acerca do Presidente
Lula e do seu mandato, voltei triste para casa, depois desse monólogo a que me referi atrás.
Porque esta estranha gente anda a ganhar terreno novamente,
perante a passividade dos justos e dos democratas.
Que venham então as presidenciais de 2026, com o Marques Mendes, o Ventura ou o Almirante bonapartista. Um deles será Presidente de todos nós, certamente.
Que venha o J. D Vance, o Marco Rubio, Ursula von der
Leyen, António Costa, o lambedor de serviço, Mark Rutte, o genocida Benjamin
Netanyahu. Que venham todos em excursão e nos queimem a todos num forno a gás. Nem falo do nazi-fascista e oligarca ucraniano nem no ditador sanguinário Putin. Simplesmente porque estou completamente saturado deles os dois e da sua guerra.
Restará sempre alguém que grite ‘Viva a República, Viva a
Liberdade’. Não tenho a menor dúvida.
Nem que seja numa terra minúscula, como a Vieira era em 1920.
Feliz 2026.



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