Os Emigrantes.
OS EMIGRANTES.
Lágrimas
caem no rosto de milhares
De quantos
outra sorte buscando vão.
Um aceno
mais! Adeus! Desolação!
E o barco
segue, sulcando outros mares.
Há emoção,
amargura nos olhares,
Desencontro
de almas em separação;
Quanta tristeza
em cada coração
Partindo já
saudosos dos seus lares!
Então já noutras
pátrias bem distantes,
Sofrendo
desilusões, esses emigrantes
Pensando na
família, os entes queridos
Pois trilhando
caminhos desiguais,
Quantos dos
que partiram não voltam mais
Mas se
regressam, não são uns vencidos.
Tenho andado em profundas arrumações cá nesta casa da qual me
despeço para sempre e vou encontrando papeis e papelinhos, como este soneto
escrito pela minha mãe em 1966, com o título que o encima.
Lembrei-me que "Portugal não é o Bangladesh."
Hoje fui cortar o cabelo e perguntei ao barbeiro se já tinha
decidido em quem iria votar nas presidências.
Respondeu-me:
“mas há eleições?”
Há, disse eu. E são importantes.
“Então voto no Ventura, claro.”
Fiquei calado. Há coisas que não valem um comentário.
Valeu este soneto que encontrei depois numa montanha de
papéis que tinha cá por casa.



Comentários
Enviar um comentário