"Porque sou Comunista."

 


Ontem fui ao lançamento do livro ‘Porque sou Comunista’ de Pedro Tadeu, que decorreu na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira em Leiria.

Fi-lo por curiosidade e por respeito. Fiz questão de levar o meu filho mais novo comigo e comprei dois livros para oferecer. Um para a minha querida Maria Loureiro que me tinha dito na véspera não poder estar presente. O outro exemplar foi para oferecer ao meu António, que gosta de dizer que é comuna e anda a ler o 'Das Kapital', como bibliografia complementar para a sua tese de mestrado em arquitetura. As coisas que aquele gajo inventa para tentar atingir a perfeição. Disse ao Pedro Tadeu para chamar o meu filho de ‘Camarada’ na dedicatória que lhe ofereceu. E assim o fez.

Não sou comunista, deixei de militar no Partido Socialista e noutras organizações coletivas, porque sou um tipo muito incumpridor, totalmente distraído e bastante indisciplinado. Fiquei-me pelo Benfica, onde posso gritar à vontade nos jogos. Basta-me isso.

Agora mais a sério. O meu pai foi comunista até à invasão de Praga. Só que, nesta velha casa tanto o ideal comunista foi sempre respeitado, como os seus militantes sempre também o foram. Por aqui se encontram quase todos os livros do Álvaro Cunhal, do Soeiro Pereira Gomes, poetas como o Ary, o Neo Realista Alves Redol, sempre coabitaram alegremente nas estantes da minha tia e do meu pai. Ainda os conservo a todos, evidentemente.

Tenho um disco de 45 rpm com o 'Avante', comprado após o 25 de Abril.

No dia em que Álvaro Cunhal foi preso no Coimbrão e a notícia se espalhou, todos por cá ficaram imensamente tristes. Quem me contou isso foi a minha tia Julieta, que fazia anos a 10 de Novembro, a mesma data do Secretário Geral do PCP.

A enorme dignidade dos comunistas tem a ver com a sua história, resistência ao fascismo, onde tudo arriscaram. 

Até a própria vida. Tal como outros democratas e velhos republicanos. A minha terra possui no seu enorme baú de recordações muitas histórias desses tempos. João Faustino, Zé Moreira, por exemplo, dois comunistas presos e brutalmente torturados, tendo o Zé Moreira sido assassinado às mãos da PIDE no Aljube e o João Faustino massacrado de tal forma, que a sua mulher quando o foi visitar à prisão ter passado por ele no corredor não o tendo reconhecido, totalmente desfigurado e magro como se encontrava. Esse não quis fugir, disse ao filho que lhe implorava que fugisse pela porta de trás esta frase: "quem não deve, não teme." E abriu a porta da frente, sabendo perfeitamente ao que ia.

Contaram-me estas histórias cá em casa. Repassei-as aos meus 3 filhos. E gostava que o mesmo acontecesse, aos filhos deles.

Há memórias que por tão significantes terem sido, nunca devem cair no vazio e no esquecimento da breve espuma dos dias que passam. 

Recentemente li e partilhei esta frase no Facebook:

“Hoje é muito fácil dizer mal dos comunistas. Difícil foi, no entanto, ter resistido a 48 anos de fascismo, como os comunistas sempre fizeram.”

Li há dias duas análises fabulosas acerca das últimas autárquicas, sendo que uma delas começava com esta pérola: “e no fim, venceram os comunistas”, apenas porque foi selado um acordo pós-eleitoral entre o Partido Socialista e o Partido Comunista Português para a gestão do município para o mandato que amanhã se inicia.

O outro texto trazia três pérolas a que não resisto comentar:

Na altura, diziam que a freguesia estava partida ao meio: De um lado, os socialistas de Mário Soares. Do outro, os comunistas de Álvaro Cunhal. Pelo meio os “jovens do MRPP”.

A Vieira esteve, de facto, dividida entre o PS e o PCP, com a presença permanente do PPD. Os miúdos do MRPP, pintavam belas paredes e roubavam gasolina pela calada da noite, para abastecer o camarada Arnaldo de Matos e a seu pedido, das duas vezes que se deslocou à Vieira para poder regressar a Lisboa à custa dos burgueses com carros estacionados na rua. Nunca elegeram um deputado que fosse para a Assembleia de Freguesia da Vieira. Dar-lhes agora palco e importância histórica é, no mínimo não saber o que se está a escrever.

Mostra um pedaço do que é hoje a Alma da Vieira — uma Alma inquieta, dividida, por vezes cruel.”

Uma terra que entrega quase 70% dos seus votos expressos à mesma equipa, como nunca aconteceu em 50 anos, é de facto, uma terra inquieta e dividida. Respondeu, isso sim à crueldade e indiferença com que se sentiu tratada nos 4 anos que passaram. E fê-lo com toda a dignidade e tranquilidade do mundo e nas urnas.

“… vejo que a política na minha Vieira está transformada num pequeno espelho de vaidades pessoais e fraquezas coletivas.”

Vaidade é o adjetivo, de facto, mais indicado para qualificar a personalidade do novo presidente de Junta reeleito. 

Quanto às fraquezas coletivas, penso que são tão claras e óbvias que só me apraz dizer: comentário ridículo, injusto e absurdo o teu! Para não dizer totalmente canalha e cretino. Isto não é bullying meu caro Ramusga. É a verdade. E a verdade, como sabes ou deverias saber nunca deve ofender 

ninguém.

De cada vez que opinamos podemos e devemos fazê-lo com inteligência e dignidade. 

Concordemos ou não com as opiniões de cada um.

Costumo dizer que só se cresce verdadeiramente na diferença e no confronto dos opostos.

Construí este blog, permitindo todos os comentários, desde que não venham de anónimos. Por isso não respondo em locais que permitam comentários sem rosto, apenas porque não chafurdo nem em fossas nem me atiro a currais cheios de lama.

Enfim, deve ser uma questão de feitio.

E, nestes casos, como com as opiniões, cada um tem o seu!

Felizmente.

"numa sala onde todos se levantam para aplaudir o poder, a verdadeira força democrática pode estar, silenciosamente, naqueles que permanecem sentados — não por despeito, mas por dignidade."


😂

Que grande dignidade Rui Jorge!

Que enorme e absoluta dignidade a do teu novo dono!


Quanto às verbas, vamos aguardar pelo teu verbo quando vierem cá para fora certas 'coisitas' que para vós, parece que nunca tiveram qualquer importância. Como a maravilhosa Revista Municipal, por exemplo"

Aguardemos, como dizia o grande Zé Valada, quando profetizava a monumental derrota do PS.

Aguardemos Rui Ramusga. É que voltaremos a falar de dignidade, integridade, honradez e princípios.

Tem calma rapazito. Aproveita para ler uns livros e sossega, porque mais tarde ou mais cedo, a gente vê-se!

Não com argumentos, porque contigo os dispenso. Não os sabes esgrimir. Não tens essa capacidade.

A gente vê-se.

Com factos!

Tem calma rapaz.

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