O Texto nº 600 e as pesquisas cirúrgicas.
Este é o texto nº 600 deste blog.
Já o fechei duas ou três vezes e sempre a ele regresso.
Escrever transformou-se numa dependência, porque me permite
comunicar com todos os que me vão lendo e são, mesmo assim, bastantes. É
reconfortante saber que não falamos para as paredes. Construí sozinho este
espaço, que foi crescendo exponencialmente. Já deu um livro, com uma aceitação
pública que excedeu completamente todas as minhas melhores expetativas.
Centenas de exemplares vendidos e dois momentos de absoluta partilha com
Amigos, conhecidos e gente anónima. Um abraço, uma palavra, ‘tempos’
inesquecíveis na Biblioteca de Instrução Popular e no Sport Operário
Marinhense. Encontram-se os volumes sobrantes à venda em quatro locais
distintos. Três livrarias e na BIP.
Resisti muito a publicar, porque não achava os meus textos
dignos de edição em forma de livro. Sem o enorme e exagerado incentivo da
Helena, nunca o teria feito.
Nunca!
Com 6 centenas de textos publicados, alguns há, bastante
contundentes acerca de circunstâncias, pessoas, ideais, iniciativas e tempos
políticos e seus protagonistas.
Atravessamos um período de enorme hipocrisia política,
eivados de medos vários, populismos perigosos e demissões grotescas em chamar
as coisas ou alguns atuais protagonistas, pelo seu nome.
O país parou quando viu o inefável Isaltino com a calma de quem pede uma bica ao balcão duma pastelaria ao fim do dia, dizer quem é o Andrezito. Esse gesto do ‘Marquês de Oeiras’, em boa verdade, não devia surpreender rigorosamente ninguém, simplesmente porque muitos de nós já o deviam ter feito antes. E daquela forma.
Como reação imediata a esse vídeo,
pudemos assistir a um Andrezito histérico e sem máscara. Até mandava prender o
senhor Isaltino se fosse primeiro-Ministro, numa manifesta demonstração do seu
respeito pelo Estado de Direito e pela separação de Poderes que deve sempre
prevalecer em qualquer democracia. A ironia de tudo isto é que teve de ser o senhor
Isaltino Morais a dizer, calma e compassadamente, o óbvio!
As opiniões são dinâmicas, porque a vida é dinâmica. As
nossas opiniões e formas de pensamento devem evoluir, sem trair os nossos princípios basilares.
Toda a gente sabe que não votei na Cidália. Toda a gente sabe a relação pessoal que não tenho com o senhor Constâncio. Toda a gente sabe o que escrevi acerca do inenarrável João Paulo Pedrosa, do diretor do JMG, de algumas posições assumidas pelo Álvaro Órfão.
Tenho manifesto orgulho em ser um
tipo autêntico. A autenticidade tem um preço.
E um preço elevado.
Sempre o paguei e continuarei a pagar!
Os blogs têm uma ferramenta curiosa. Permitem-nos saber o
país de origem das leituras e a quantidade das mesmas. Por dias, por horas, por
semanas, por meses e por anos.
Observei, sem espanto, que ultimamente andam a vasculhar
textos antigos onde manifestei opiniões veementes acerca de alguns candidatos e
mandatário das listas atuais do PS.
É um privilégio ser muito lido e maior privilégio senti,
quando constatei que até textos antigos são repescados com o objetivo de
apanhar uma contradição, uma injuria que me comprometa ou m faça corar de
vergonha.
Quando se tem coragem de se assinar o que se escreve, essa
preocupação nunca nos atravessa, porque quem é o que é, tem sempre coluna
vertebral, não desvirtua as circunstâncias e nunca se esquece delas. Tudo
coisas que nenhum anónimo, por mais identificado que esteja poderá dizer de si
mesmo.
Aguardemos!
Nunca se deve confundir a árvore com a floresta como dizia
Mário Soares, que também recorria abundantemente ao brocado popular: “só os
burros é que não mudam”.
Agora, quando alteramos as nossas posições por falta de
carácter, ressabiamentos diversos, oportunismos vários e odiozinhos de breve
circunstância, aí sim, negamo-nos a nós próprios, porque atiramos ao chão tudo aquilo
que dissemos ser.
Não é o meu caso.
Por isso, nunca eliminei nenhum texto que tenha escrito.
E já só faltam 400 para atingir a modesta quantia do milhar.
E com mais de 250.000 leituras, não me parece que esteja a falar sozinho, modéstia à parte.



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