"Não te Esqueças que és Um Homem!"
Quando vinha para casa após o Benfica/Santa Clara, não pude deixar
de lamentar a fraquíssima exibição do meu clube. Tanto eu como o João não
assistimos a roubalheiras do árbitro, nem a um resultado injusto. Vínhamos
tristes e quase sempre calados, que é o que costuma acontecer a quem está
triste.
Só no futebol admito a irracionalidade e, mesmo assim, apenas
momentânea. Durante o jogo e nos momentos que o antecedem, porque na vida em
todas as suas mais variadas dimensões, a realidade, os factos e a inteligência devem
prevalecer sobre qualquer outra coisa.
A política sempre reservou, desde tempos imemoriais, um papel
importante ao dogmatismo, à hipocrisia, à mentira e ao oportunismo vulgar e
canalha. Sempre foi assim. Caso contrário, o sublime exemplo do julgamento e
morte de Sócrates (o autêntico, claro), não se teria transformado numa história
de imortal e absoluta dignidade.
No tempo de Cavaco, o demagogo de serviço chamava-se Pacheco
Pereira, um intelectual da nossa praça, de extrema esquerda nos tempos imediatos
ao 25 de Abril de 1974. Professor de liceu, que ascendeu ao estrelato
cavaquista em tempo record, e, entre outras medidas, perseguiu jornalistas na Assembleia da República o que implicou
diretamente uma greve aos trabalhos parlamentares por parte dessa classe.
Alguém se lembra disto?
Não. Ninguém se lembra, porque a verdade, ou melhor certas
verdades esquecem-se na espuma dos dias que passam. E, nesse tempo ainda havia
jornalistas e jornalismo.
A ex União Soviética, outro baú de verdades ocultadas, por
exemplo, nunca teve presos políticos. Era o Sol na terra, nas
bocas de muita gente do Partido Comunista Português. Uma vez até ouvi da boca
de um enorme intelectual do PC da Vieira a seguinte frase: “o Sakharov é um merdas!”
Nunca me esqueci desta tão imbecil consideração.
Atualmente vivemos uma realidade completamente diferente, em
termos políticos, porque a velocidade da informação e da opinião é superior à
velocidade da luz e, com isso, a proliferação da mentira tornou-se a mais
absoluta verdade, porque o que conta é o que passa, o nº de visualizações dos
reels e das mais diversas publicações nas redes sociais, onde passaram a proliferar
com manifesta abundância, um exército de fantasmas com os seus perfis falsos, de
quem atira a pedra com uma mão e esconde imediatamente a outra, numa
perseguição constante, com agendas próprias e escusas, porque pouco idóneas e
dignas – daí o tapar de cara – como escudo protetor, porque tudo o que é escrito
com falsos perfis envergonharia facilmente o escritor, ou como também se diz
noutros contextos, o “ghostwriter”.
Vamos deter-nos no debate da passada sexta, promovido pela
RCM e pelo JMG, com os candidatos a presidentes de Junta da Marinha Grande.
Evidentemente que cada um deve ter, porque esse direito lhe
assiste, a manifestar a sua opinião. Era o que mais faltava se tal não
acontecesse!
Mas ficaram demonstrados à saciedade diversos factos.
Raimundo Santos foi arrebatador. Na forma, na coragem e no
conteúdo. Isabel Freitas, mostrou-se completamente agastada, atrapalhada,
ultrapassada e confrontada com factos, não pode escudar-se em supostas
perseguições, cabalas ou canalhices do sistema. Esteve fraquíssima. A candidata
do +Mpm apresentou-se, sem glória, fugindo às misérias da ex-presidente daquela
força política, que com negócios fraudulentos que caracterizaram os primeiros dois anos do
mandato que agora termina. Não tenhamos medo das palavras: negócios fraudulentos,
que o presidente Aurélio, sempre tentou driblar com os seus números patéticos de
circo e fuga às responsabilidades, branqueando-os.
O que assistimos logo a seguir ao fim desse debate, nas redes
sociais?
Alexandra Dengucho e Sérgio Silva tecem opiniões, que eu
penso (e é um direito que me assiste) terem sido completamente ridículas. Tão
ridículas que, me levam a concluir que nem eles próprios acreditam no que
deixaram escrito, com loas à Isabel, imediatamente validades pelos seus diretos
apoiantes. Veremos depois, quantas pessoas irão votar nesta candidatura! O
mesmo se passou com os apoiantes do +Mpm defendendo a postura da Ana Paula
André.
Como digo frequentemente, as pessoas não são estúpidas, o que dito por outras palavras, significa que os eleitores são esclarecidos. Já lá vai o tempo de se mostrarem os símbolos dos partidos aos analfabetos, produto direto do regime fascista para lhes indicar o local onde deveriam colocar a cruzinha no respetivo quadrado. Passaram 50 anos felizmente. As pessoas votam em quem pensam que devem votar. O que levanta inevitavelmente uma questão: “porque tem o Chega um milhão e trezentos mil votos?” Porque a mentira disseminada à exaustão rende.
E rende muito.
Tivemos no nosso concelho um blog de anónimos que serviu
durante 10 anos para promover o candidato Aurélio Ferreira, com profusas e
torpes mentiras e exageros. Ultrapassou os 10 milhões de leituras, tendo encerrado
as suas portas abruptamente assim que o Vereador se transformou em Presidente.
Nessa altura assistimos a um processo interessante onde “a criatura estava a
começar a devorar o criador”.
Nesta contenda eleitoral apareceu um estranho (ou talvez não)
participante. Construiu um perfil anónimo “Comentadeiro Eleitoral” com uma foto
de perfil com as letras ‘Marinha Grande’. Logo no início, mesmo apesar da cara
tapada, mostra quem é e ao que vem. Destruir completamente tudo o que mexa nas
diversas candidaturas do Partido Socialista. Tem um nome este senhor. Tem um
nome e tem um estilo próprio de escrita. Mas tem outra coisa ainda. Um ódio
acumulado em dimensões de tal forma dilatadas que, penso por vezes, terem
ultrapassado completamente o seu anormalmente colossal ego e autoestima. Foi
nº dois do Secretariado do PSMG, deslocou-se à Vieira com uma comissão de alguns
notáveis desse partido convidar o atual candidato Paulo Vicente a encabeçar as
listas para Presidente de Câmara. Sonhava, ficamos a saber por ele mesmo,
candidatar-se a nº dois nessas listas.
As coisas atingiram um ponto tal, que posso antecipar os seus
comentários aos dois debates que faltam realizar pelo JMG/RCM.
Chamou tudo ao homem que convidou, desde provinciano a criado
de servir, entre outros mimos patéticos.
A sua única conquista com o perfil falso que construiu e
utiliza abundantemente é a obtenção de likes de manifestos apoiantes da CDU e
do +Mpm. Importante para o seu currículo político, não há dúvidas. Parabéns Dr.
José Valada. É talvez o maior feito da tua vida política, ter likes do Laranjo,
Wilson filho e gente deste calibre.
A política ou o poder transformam os homens, normalmente para
pior.
Por isso, quando na Roma antiga um imperador entrava em
Triunfo na 'cidade eterna' a conduzir uma quadriga, tinha um escravo que lhe
segurava a coroa de louros suspensa na sua cabeça e murmurava ao seu Augusto
ouvido: “não te esqueças que és um homem! Não te esqueças que és um homem!”
Não fosse ele considera-se um deus e estragar tudo à sua
volta.
Foi exatamente essa figura que faltou a Aurélio Ferreira, que
se deslumbrou com ele próprio e não conseguiu evidenciar qualquer réstia de
competência.
Quanto às mentiras, cinismos, pequenas hipocrisias e perfis
falsos, cada um que continue na sua senda, porque os eleitores da Marinha Grande
mostraram há muito estarem completamente cansados deste sinistro padrão de
comportamentos.
Quanto ao "Comentadeiro Eleitoral", Zé Valada, e continuando no contexto histórico do Império Romano, lembrei-me deste episódio da guerra pela conquista da Lusitânia, acerca do qual vale bem a pena refletir:
“Ficaram célebres as batalhas entre as legiões romanas
comandadas pelo General Cipião e os guerreiros lusitanos comandados por
Viriato, por volta dos anos 155 AC. O numeroso e bem organizado exército romano
quando invadiu a Lusitânia foi diversas vezes derrotado e humilhado pelos
soldados chefiados por Viriato a ponto de Roma ser forçada a pedir a paz.
Segundo a História, Viriato mandou três emissários para negociar com Cipião os
termos do tratado de paz; Cipião, em vez de negociar a paz, prometeu avultada recompensa
a esses emissários se conseguissem assassinar Viriato. E, assim aconteceu;
enquanto Viriato dormia, à traição, foi apunhado por aqueles emissários. Após a
prática deste crime, aqueles traidores, para fugir à perseguição e ira dos
lusitanos, refugiaram-se em Roma onde pretendiam receber o prémio prometido por
Cipião. Mas, o prémio que tiveram foi a sua execução na praça pública (como era
habitual naquelas épocas) onde depois ficaram expostos os seus corpos com a
seguinte inscrição: ”Roma traditoribus non premiae” – (Roma não paga a
traidores). A traição sempre foi uma prática repudiada na nossa sociedade”
Narciso Pires



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