Manel.
Como no proverbio árabe: “Deus reside nos detalhes”.
O meu filho mais velho é o que está menos tempo comigo. Desde
o dia em que entrou para a instrução primária, terminaram as temporadas na
Vieira. Sem tempo, porque com obrigações escolares, depois disso.
Separados por 400 km, mas sempre juntos. Por isso nunca consegui entender os casais que se separavam e viviam próximo e se odiavam, desagradavelmente.
Nunca fomos assim.
Eu e a Luizete, que nos casamos uns miúdos. Eu com 24 ela com 21. E não, não estava grávida. Casamos porque entendemos que queríamos casar. Dois garotos. O nosso Manel só apareceu 5 anos depois.
É o único sócio da grande Biblioteca de Instrução Popular que antes de o ser, já o era. Eu era presidente da direção e a mãe dele 2ª secretária e uma semana antes de nascer o rapaz e como já tinha o nome escolhido, foi feito sócio! À maluca.
Coisas de gajos da Vieira!
Tivemos um filho maravilhoso e sempre nos demos bem. Com toda
a certeza e ao fim de sete ou oito anos de casamento, ainda somos os melhores
amigos.
Educamos um filho com todo o carinho e cumplicidade do mundo.
É muito pouco frequente estar com o meu mais velho. Estuda no
Porto, vive em Portimão e trabalha no verão em Faro.
Resolveu fazer uma paragem na Nazaré comigo agora. 3 dias, antes
de rumar ao Porto para terminar a sua tese de Mestrado.
Para mim, estes três dias são sagrados. Ainda mais na Nazaré
onde me reencontro sempre.
O Sublime, Deus, a Serenidade e o prazer de me sentir um tipo
com imensa sorte por ter os filhos que Deus me deu, deixa-me sempre grato. À
vida, ao amor absoluto, à esperança de que nada, rigorosamente nada, se perdeu.
Cozinhar, conversar calmamente, discordar com inteligência e absoluta serenidade são dos melhores prazeres da Vida.
Amanhã, lá vais tu almoçar com a tua Madrinha Lígia e depois ao cinema com o puto 'político' João em Leiria.
Foi mesmo bom teres parado por cá, nem que tenha sido apenas
por 3 dias.
Valem tudo.
Desejo-te um bom regresso ao Porto no próximo domingo, sabendo que esta breve paragem pela terra da tua avó Nela, valha bem mais que qualquer outra coisa. É que, como viste hoje, o mar dela, que também é o teu, com o seu sol a cair em cima do infinito, discreto e maravilhoso, enchem-nos sempre de esperança e de certeza que o dia de amanhã estará repleto de sol.
Por todos os lados!
Obrigado puto.



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