Helena.

 


E lá virás tu daqui a pouco.

A dizer que tinha de ter aspirado a casa toda, porque tenho sempre as janelas todas abertas. O lixo por ter deitado. Que nunca conheceste um gajo tão desconcertadamente distraído. Depois, queixas-te (o que eu adoro essa parte): “tu e o Bernardo estavam-me reservados”.

E a tudo finjo que ouço. É pá gosto de te ouvir queixar dos dois homens da tua vida Helena.

Ninguém faz nada de mim, nesta altura. E tu sabes. Nem me pergunto porque ‘finges’ tentar fazer de mim um homem. Serei sempre um garoto na maioria das coisas da minha vida. Gosto de me divertir e de ser aparentemente irresponsável, o que é que queres?

Quando acabas de ralhar, só te digo: “mas tu gostas muito de mim, não gostas?”

E ficas sempre desconcertada!

Daqui a pouco lá entrarás tu a dizer que me esqueci disto e daquilo. Eu, devo estar a acordar e lá vou fingindo que concordo com tudo e mais alguma coisa.

E, depois, seremos felizes os dois, como nunca fui com mais ninguém.

Abençoada Nazaré!

Amo-te HI.    


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