TUMG. A verdade e os factos.
No ano de
2019 eram estes os números da TUMG:
Nº de
linhas: 15
Nº de
paragens: 400
Nº de
viaturas próprias: 10
Km/Rede: 250
Freguesias
servidas: 3 (a totalidade do Concelho da Marinha) - quantos municípios se
poderão gabar de possuir um serviço de transporte urbano semelhante?
Km
percorridos: 869.320
Total de
efetivos: 11
Passageiros
transportados: 467.027
Onde estavam
Vªas Exªs quando a TUMG foi fundada em 2003 e o que disseram acerca da forma
como a mesma foi gerida até 2009? …
Onde
estavam? … Eu digo: …
Nas vossas
vidinhas.
No entanto,
… hoje, são o executivo permanente da Marinha Grande e, só por isso, vos
questiono:
Sabem
quando, por quem, como e porquê foi criada a nossa empresa de transportes
urbanos?
Foi uma
ideia do Partido Socialista que o Partido Comunista permitiu aprovar.
Esta é a
verdade. A sua criação, visava servir a população e reduzir o custo das
deslocações entre os diversos lugares e freguesias do Concelho da Marinha
Grande, prestando um serviço público de transportes abaixo do seu preço real.
E, desta forma, permitir a coesão territorial e aproximação das pessoas de
todos os diversos lugares da cidade da Marinha Grande, numa primeira fase, e
entre todas as freguesias do Concelho, numa fase posterior.
Durante esse
triste período (2003/2009), a empresa municipal tinha um administrador que
ganhava mais de 2.000 €/mês e “trabalhava” dois dias por semana. Limitava-se a
fazer contas de somar e multiplicar. Eram as continhas dos alugueres fictícios
das máquinas (pequenas, médias e pesadas), que tinham passado,
convenientemente, a ser, por decreto, propriedade da TUMG e … utilizadas como
sempre tinham sido, pela Câmara. Essas contas eram fáceis de fazer: x à hora
multiplicado por um dia completo de trabalho durante todo o ano. Fossem
utilizadas que não fossem utilizadas! A Câmara pagava sempre! Durante 6 longos
anos, foi apenas isso que a nossa empresa de transportes fez! E assegurava o
transporte escolar, com autocarros com dezenas e dezenas de anos, sem condições
de segurança mínima para as crianças, importa dizer!
Acerca
disto, o que disseram todos vós que ora fazem parte do executivo permanente?
Eu respondo.
Não disseram, absolutamente, NADA.
De 2004 a 2007, o novo Presidente João Barros, tudo fez para acabar com a empresa. Os vereadores do Partido Socialista e o Vereador do PSD impediram esse desiderato, perante a passividade colaboracionista do Partido Comunista da Marinha Grande. Outro facto. Sugiro a consulta das actas das reuniões de Câmara desse tempo, apenas para que se verifique o sentido de voto dos três eleitos do PCP no que respeita à sua intenção de acabar com a empresa de transportes urbanos.
Foi decidido extinguir a empresa com 2 votos favoráveis dos comunistas, Dr. Cascalho incluído, dois votos contra dos vereadores socialistas e, como o vereador Sr. Artur Pereira de Oliveira do PSD, na altura presidente do CA da TUMG se encontrava impedido de exercer o seu direito de voto, a extinção foi aprovada com o voto de qualidade do Presidente João Barros! Era para ter ido a Assembleia Municipal que impediria que a nossa empresa de transportes fosse transformada em cinzas, pó e nada! Só não foi, porque essa proposta foi retirada, in extremis, porque tinha um chumbo garantido pelos deputados do PS e do PSD.
Estes são os factos e, como diz o povo, "os factos não se discutem!".
A história não se apaga, meus senhores. Esta realidade é indesmentível.
Posto a andar o Presidente
que venceu essas autárquicas, o PCP muda radicalmente de atitude e em 2007, e
por opção do então presidente Dr. Alberto Cascalho, inicia-se atabalhoadamente o
estudo de suporte para a criação das primeiras duas linhas de transporte urbano
e a 3 meses das eleições, o processo de transporte urbano é inaugurado. A
circular azul e a linha vetorial verde. Com cinco minibus. Resultado de um
estudo feito por uma empresa externa e pago a peso de ouro.
Em 2010, com
apenas duas linhas, atingiram-se os 234.147 transportes de passageiros / ano.
Até essa
altura, não havia “boys” nem “jobs” para os mesmos.
Foi com a
minha nomeação para presidente do CA, em janeiro de 2010 que passou a existir
essa nova “nomenclatura” na sociedade marinhense!
Restou-me
esse ano, 2011, 2012 e metade de 2013. Três anos e meio. Foi o tempo de arrumar
a casa, separar o trigo do joio, mudar de azimute e colocar a empresa de
transportes urbanos da Marinha Grande na rota do futuro.
A uma
distância de 13 anos, cumpre-me constatar, que em toda a minha vida
profissional, foi na TUMG que deixei os resultados de que mais me orgulho até
hoje. Eu e o Francisco Roldão, sob a estratégia delineada pelo executivo da
altura, presidido por Álvaro Pereira, revolucionamos completamente a empresa. E
essa espécie de administrador que por lá andou, apresentou, voluntariamente a
sua demissão, talvez porque, o ritmo das transformações radicais que íamos
imprimindo, não lhe estava a proporcionar grande conforto. Estava habituado a
fingir que trabalhava. Dois dias por semana, repito! E 2.000 €/mês, há vinte
anos atrás.
Já ninguém
se lembra disto. É normal. As pessoas só se recordam do que lhes convém
recordar! É da vida. E de todas as pequenas figuras que dela sempre fizeram
parte.
Em 3 anos,
vendemos todas as sucatas que existiam, esquecidas, nos estaleiros da Câmara há
10, 20 e 30 anos. Exportamos para Angola 5 autocarros totalmente obsoletos que
ainda se encontravam ao serviço da empresa para transportes ocasionais e de
alunos, vendemos para exportação duas retro escavadoras, tudo com 100% de lucro
líquido. Alteramos os estatutos da empresa adequando-os à nova legislação em
vigor. Passamos todo o parque de máquinas para a propriedade do município tendo
acabado, consequentemente, com essa espécie de contrato leonino de recebimentos
totalmente imorais com o aluguer de máquinas ao município. Adquirimos por
metade do preço proposto o edifício da antiga EDP, no centro da cidade,
utilizando apenas parte do seu espaço útil, com obras de absoluta e barata
modernização e com um design de interiores francamente apelativo para todos os
utilizadores da empresa, deixando ainda metade da área total para futuro
arrendamento. Dobramos as linhas de transporte, atingindo um índice de pessoas
transportadas de 366.260 no ano de 2013. Adquirimos um autocarro de transporte
para 55 pessoas que ainda hoje assegura uma parte substantiva do transporte
escolar e ocasional e criamos em 2011, o estacionamento pago na MG com o conceito
inovador caracterizado pela máxima: “entre duas zonas próximas, uma era
paga e a outra, em alternativa, situada um pouco mais longe dos serviços
procurados, absolutamente gratuita”.
Aumentamos
as linhas, criando a linha vermelha, a amarela, reformulando completamente a
linha azul e transformamos a linha verde numa circular. Todas as linhas em
funcionamento tinham paragens comuns para se poder mudar de destino. O Pilado
passou a ser servido, bem como o Pero Neto e a Ordem (até aos limites da cidade
da Marinha);
Acordamos
com a Rodoviária do Tejo (que tinha o monopólio da exploração da estrada
Marinha - Vieira) um shuttle com 3 horários um de manhã para quem vinha
trabalhar, outro depois de almoço, para quem tinha assuntos a tratar na sede do
Concelho e outro ainda para quem regressasse a casa vindo do trabalho ou da
escola;
Iniciamos
todo o processo de instalação de abrigos de passageiros;
A
publicidade colada nos autocarros de transporte urbano foi a partir de certa
altura outra fonte de receita criada;
Tudo isto
foi realizado em 3 anos.
Acabamos o
ano de 2012 com uma diversificação de diversas origens nas receitas auferidas.
Os preços
dos passes e dos bilhetes até aos dias de hoje NÃO foram aumentados, o que
implica diretamente o aumento da subvenção camarária para o transporte urbano,
considerando o aumento de todos os custos operacionais, como o preço do
combustível entre outros custos de manutenção das viaturas.
Nos últimos
dez anos, com a administração seguinte, foi implementado um serviço que abrange
e unifica as três freguesias do Concelho. Deixou de existir a política de
subcontratações, sendo a TUMG presentemente uma empresa totalmente autónoma em
termos de frota própria e motoristas pertencentes aos seus quadros de pessoal e
que ultrapassou o meio milhão de transportes/ano em 2022. Indo aproximando os
seus índices de utilização perto da meta de UM MILHÃO de
transportes/ano!
Quando são
implementadas todas estas alterações, em tão pouco tempo, com os resultados
conhecidos, cumpre perguntar: o que é que Vªs Exªs querem mais?
É que as
tarifas do transporte urbano (bilhética e passes) não sofrem qualquer alteração
de preço … há 14 anos!!!
Tal como o
preço/hora do estacionamento, ou seja, 0,40 cêntimos/hora (caríssimo!!!)
permanece inalterável. Há 14 anos também! Assim como, em total contraciclo com
outras cidades e municípios, as zonas pagas NÃO aumentaram UM lugar que fosse!
Para esse tipo de decisões impopulares é sempre necessária coragem. Vªs Exªas
têm evidenciado apenas a cobardia da perseguição política a alguns
funcionários da Câmara assim como a freguesias do Concelho que não afinam pela
vossa bitola e exigem o que lhes é de direito. Como tem acontecido com a Moita
e com a Vieira.
A coragem
NUNCA será a ‘marca de água’ de Vªs Exªs!
O Exmº
senhor presidente de Câmara numa das suas habituais e infelizes afirmações
disse, do alto da sua enorme capacidade de gestão, e cito: “a TUMG dá um
prejuízo à Câmara de 500.000 €/ano”. Este fascinante raciocínio poderia talvez ser comparado a qualquer primeiro ministro, se dissesse, por exemplo, que
o SNS acarreta 38.000 milhões de prejuízo ao Estado … Enfim …
O que está
em causa na TUMG é a manutenção de um serviço de utilidade pública. Nada mais
que isso.
A administração
seguinte teve a coragem de continuar com a mesma estratégia de alargamento de
linhas, aumento de utentes transportados, ligação à Moita e Vieira e aquisição
de frota própria contratando motoristas próprios, tornando a empresa completamente
auto suficiente em termos de meios humanos e técnicos, estratégia de
médio/prazo que eu e o Xico Roldão tínhamos pensado desde o inicio em 2010.
Sabem, …
“A
política nasce connosco”.
A política
……. Ou seja,
A tentativa
de compreensão dos problemas da Pólis.
A busca de
consensos, a procura da opinião certa.
Numa
palavra, a demanda da perfeição e do bem comum. Que nunca se atinge, mas sempre
deve ser perseguida pelos praticantes da mais nobre das artes, que é e sempre
será … a política.
Por onde andavam todos vós?
Sim, todos
vós, que compõem este infeliz executivo permanente?
Pelos
meandros da construção de todas as vossas pretensiosas carreiras profissionais
sem qualquer mácula?
A estudar?
A subir de
posto em posto?
A vender
assentos de plástico?
É que, mesmo
assim, poderiam ter tido e manifestado opiniões acerca daqueles tristes anos …
de 2003 a 2009.
Só que,
… NUNCA, … o fizeram!!!
Vªs Exªs,
não são políticos. Nunca o serão. Pelo menos, na melhor aceção que a palavra ‘político’
possui, simplesmente porque, Vªs Exªs mais não são que uns simples
representantes de um novo-riquísmo atroz de quem nem rico é. Nem nunca foi.
Porque rico é quem bebeu chá em pequenino. Que tem maneiras. Que sabe estar.
Que tem a coragem certa de se expressar nos tempos certos com assertividade e
inteligência. Vªs Exªs são apenas oportunistas e hipócritas de breve
circunstância. Porque caso não o fossem, tinham manifestado a vossa opinião
desde sempre acerca da temática ‘Transportes Urbanos da Marinha Grande’. Desde
o princípio, … fosse num artigo de jornal, numa coletividade, numa conversa de
café ou num átrio de faculdade.
Vossas Exªs
não têm, como nunca tiveram, rigorosamente nada a ver com a pólis e com os seus
problemas.
A Pólis sim.
Os problemas da cidade, da comunidade e do futuro.
O que vos
preocupa, acima de qualquer outra coisa, é o efémero, a Festa, a imagem que
desejam passar de vós próprios, quais narcisistas, impreparados e
inconsequentes.
Os
marinhenses não são cidadãos de cartilhas lidas, escritas e ditas, por aqui e
por ali.
Os
marinhenses sempre prezaram a memória, a luta pela verdade, pela justiça e pela
razão.
Temam Vªs
Exªs aqueles que parecem estar contra o seu código genético e que têm
permanecido calados e aparentemente indiferentes.
Vªs. Exªs
voltaram costas a toda essa gente desde o primeiro dia em que entraram,
vencedores, altivos e petulantes, no nobre e histórico edifício dos nossos
Paços do Concelho.
Parafraseando
o Senhor Carlos Wilson, deputado da Assembleia Municipal e cito: “O povo da
Marinha votou. O +MpM ganhou e com isso conferiu-nos um salvo conduto para
tomar conta disto”.
Não. Não é
assim Senhor Wilson!
Nunca foi!
Se tivesse o
mínimo de decência e respeito pelo voto popular, não teria vendido tão
facilmente o lugar para o qual, democraticamente, o povo da Marinha lhe
conferiu a vitória.
E, teria
sido, no mínimo, candidato a presidente do Parlamento da Marinha Grande dentro
da Assembleia depois de eleita.
Preferiu remeter-se
a um lugar de deputado simplório e inconsequente!
Tristes.
Todos vocês.
Tristes!
Anexo:
Acta n.º 8 de 19/04/2007, ponto 24, pág. 72. "Deliberação". "O Sr. Presidente votou contra com a seguinte declaração de voto: Votei contra apenas porque isso não resolve as ilegalidades no relacionamento TUMG/Câmara, nem o acréscimo de custos com estas irregularidades que a Câmara está a ter na execução e cumprimento das suas competências, nem acaba de vez com a gestão danosa a que essas anomalias obrigam. Sendo assim mantenho a proposta que fiz ao longo do debate deste problema e submeto-a a discussão e aprovação: a extinção da TUMG com a consequência da transferência para o sócio maioritário (Câmara) de todo o seu património e as suas atividades, cometendo aos serviços jurídicos para que apresentem as suas propostas no sentido da extinção da TUMG. Posta ‡ votação a proposta do Sr. Presidente para extinção da TUMG, foi a mesma aprovada por maioria, com 2 votos a favor do Sr. Vereador Dr. Alberto Cascalho e do Sr. Presidente, 2 votos contra dos Srs. Vereadores do PS, Dr. João Paulo Pedrosa e Dr.ª Cidália Ferreira, e 1 abstenção do Sr. Vereador Dr. João Pedrosa, tendo o Sr. Presidente feito uso do voto de qualidade, nos termos do previsto no n.º 2, do art.º 89º da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, alterada e republicada pela Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro. O Sr. Vereador Artur de Oliveira esteve ausente da discussão e votação dos assuntos relativos à TUMG, E.M., por se encontrar impedido, nos termos do art.º 44º, n.º 1, alínea a) do Código do Procedimento Administrativo, uma vez que È o Presidente do Conselho de Administração da referida empresa."



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