Zé Freire.
Nunca te conheci.
Só me lembro da tua cara quando batia à tua janela para que
me abrisses a porta lateral da Casa da Cultura, para ir beber os primeiros cafés
com a Helena.
Fazias sempre uma cara de espanto. Talvez por veres um gajo
estranho a bater na tua janela. Tinha de te gritar do lado de fora: “diga à
Helena que sou eu, o Rui!”
E, lá abrias, relutantemente, a porta da rua.
Sofri imenso com a tua inesperada partida, porque a Helena
ficou destroçada. Penso até que nunca se habituou à tua ausência. E, quando foi
substituída e emprateleirada por esta estranha gente que vos tentou substituir,
ainda ficou pior.
Mas isso, agora, nada interessa.
Só a tua ausência forçada vem hoje ao caso.
A reunião extraordinária de câmara, onde ficou, miseravelmente
aprovada uma revisão orçamental com um reforço de verba para a "aquisição
de serviços de som e luminotecnia", em cerca de 120.000 € (valor do
orçamento anual global para a gestão integral da Casa da Cultura – antes destas
luminárias privadas terem sido contratadas – estou a falar de um reforço no valor
do orçamento total gasto em espetáculos na Casa da Cultura por ano, antes desta gente tomar posse), e o teu
nome veio à baila, pareceu-me, absolutamente odioso que tenham encontrado, entre
outras justificações menores e ridículas, o facto de teres morrido.
Merecias mais Zé Freire!
Muito mais. Mas, com esta gente tudo vale, para fazer da
mentira verdade. Da incompetência injustificada, como se justificada pudesse
ser. Já não é uma questão do valer tudo, não é isso Zé, é uma questão de falta
de dignidade, de integridade, de verdade, de valores, de tudo!
Nem tu, nem a Helena sabiam que monetariamente valiam tanto!
E ninguém da oposição, disse nada acerca da tamanha falta de
vergonha a que se assistiu na última reunião de Câmara! Ninguém. Só as perguntas parvas do costume.
Quanto a esta enorme gestão cultural, que me seja permitido
dizer apenas cinco palavras:
Vergonha, memória e falta de respeito.



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