O Orçamento da CM Marinha Grande para crianças.
Conheço muita gente tecnicamente muito competente, que adora
explicar alguma coisa a um leigo na matéria, tudo fazendo para complicar. Desta
forma, abana-se a cabeça a dizer que sim (que estamos a entender) e no fim,
ninguém entendeu nada, mas … ficamos todos com a ideia de que aquele amigo sabe
muitas coisas importantes e muito difíceis!
Sempre houve gente assim. Até alguns professores
infelizmente.
Pretendo explicar como funciona um orçamento camarário de
forma a que um miúdo de 10 anos o entenda. Até porque não é nada complicado.
Todos sabemos o que custa a nossa vida, daí todos nós
fazermos as elementares contas de somar e subtrair todos os meses. Possuímos
tanto de ordenado ou reforma, ou ainda outros rendimentos certos mensalmente.
Pode ainda acontecer recebermos apoio financeiro dos nossos pais ou avós. Acresce às nossas contas, tudo o que gastamos
todos os meses como por exemplo (luz, gaz, telemóvel, tv cabo, água, renda de
casa, propina escolar dos filhos, produtos alimentares, etc). depois ainda
existem outro tipo de despesas, como sejam a prestação do(s) carros, ou a
prestação da casa, por exemplo.
Facilmente se conclui que temos as chamadas ‘despesas
correntes’ e as ‘despesas de investimento’
No que respeita às receitas o mesmo se verifica, ou seja:
temos as receitas correntes (ordenados e rendas fixas) e as receitas, digamos’
extraordinárias’ (apoios de pais e avós para fazer obras em casa ou construir
uma piscina ou qualquer outra coisa que faça crescer o nosso património).
Por lógica definição as nossa receitas têm de ser superiores
às despesas, caso contrário, temos de pedir dinheiro a alguém.
Ainda existe um pormenor a ter em conta, que é quando
compramos e pagamos só ao fim do mês (na mercearia, no restaurante, etc).
Podemos ter o dinheiro no banco para pagar já essas despesas, mas não o podemos
gastar porque o mesmo se encontra comprometido para pagamentos futuros.
Um orçamento camarário é basicamente isto.
Penso que, desta forma, toda a gente que chegou até aqui,
entendeu, aquilo que, provavelmente, para a maioria seria difícil, tendo em
consideração todos os ‘complicodromos’ com que alguns políticos adoram falar,
fazer ou explicar.
No que respeita ao orçamento da nossa Câmara, destaco, na
rúbrica das despesas o seguinte:
Aumento exponencial na rúbrica despesas correntes (despesas
com o pessoal) no valor de 1 M euros/ano, consequência da mega contratação de
chefias e chefias intermédias e pessoal de gabinetes de apoio. O impacto
orçamental ainda é desconhecido. A Câmara dispõe apenas de dois instrumentos
financeiros para colmatar esta megalómana contratação. Ou aumenta as receitas
correntes ou diminui as despesas correntes. Ou, com muito maior probabilidade
utiliza estas duas ferramentas em simultâneo.
Na prática isto traduz-se na redução dos apoios a coletividades,
ou no consumo de luz pública, ou no gaz, nos seguros, na recolha de lixo e nos
espetáculos, etc. A fatia maior será mesmo a redução de apoios às associações.
Aliás como se tem vindo a verificar com o arrastamento para as calendas gregas
da atribuição destes mesmos apoios, o 1º semestre já passou e com ele a
poupança por parte da CM de todos os apoios prometidos para os primeiros seis
meses deste ano.
Temos o segundo instrumento possível, que mais não é que o aumento
nas receitas correntes do município que é o mesmo que dizer nos preços da água,
taxas, licenças, coimas, impostos (IMI, IUC, IMT).
Do lado ainda das receitas temos aquelas que vulgarmente se
chamam de receitas de Capital. Ou seja, receitas de investimento: (Fundos
centrais destinados ao investimento (obras públicas) ou venda de património.
Para além destas, existem ainda outras receitas de capital,
provenientes de fundos comunitários (com concursos e contratações já assegurados)
para a realização de obras públicas.
Temos ainda a obrigação de referenciar que todas as
delegações de competências que o governo central decida fazer (como aconteceu
no caso da educação) são sempre complementadas por transferência de verbas para
assegurar o seu normal e regular funcionamento.
Existem ainda transferências anuais do governo, medidas pelo
nº de habitantes e área concelhia. Estas transferências existem para assegurar
que o saldo final não seja negativo.
Temos ainda uma capacidade de endividamento bancário na
ordem dos 40.000.000 de euros, só que, … legalmente não é possível pedir
dinheiro para assegurar despesas correntes (aumento de ordenados por exemplo).
Atualmente, estamos em contraciclo, isto é, estamos com
inflação, onde os preços dos bens correntes se encontram a aumentar
dramaticamente como é o caso da eletricidade e do gaz e é exatamente nestas
circunstâncias que este executivo resolve aumentar exponencialmente as
contratações e os consequentes ordenados.
Para gestores profissionais, que pensam que a gestão de uma
Câmara se deva comparar ao Conselho de Administração de empresas privadas não
está nada mal, não senhor.
Todos nós iremos pagar isto. Ou nos impostos, ou nas taxas,
ou nas licenças ou nas coimas, ou num aumento brutal das tarifas de água e
saneamento e na redução de apoios associativos ou no preço da recolha de lixos
públicos, etc.
Tudo isto significa a degradação da qualidade de vida de
todos os marinhenses.
“Connosco seria diferente”, lembram-se?



Está diferente e bem diferente, o nosso dinheiro a esvair-se em festarolas e o concelho a definhar
ResponderEliminarGostei muito e fiquei muito agradecida ! Agora sim sei o que ê um orçamento. Obrigada prof .Rui
ResponderEliminarNão é todos os dias que se lê um economista a explicar coisas sérias como quem conta uma história infantil. Parabéns RA
ResponderEliminarSerá que ninguém repara que foi eleito um deslumbrado e uma ditadora insegura? Ambos totalmente incompetentes. O PS está a esperar o que para se colocar fora disto?
ResponderEliminarO PS acha que vale a pena sacrificar toda a estrutura do partido e todos os seus militantes só para manter duas figuras menores e de decoração na vereação só para fazerem frete aos incompetentes do mpm? Um paradoxo da politica local. Uma vergonha e um erro grave
ResponderEliminarConcordo
EliminarSr. Rui Pedrosa, na explicação sobre o orçamento, faltou-lhe referir as alterações que vão sendo feitas pelo Presidente da câmara, á revelia de quem aprova o orçamento, e que o desvirtua por completo. Estranho é como os órgãos competentes para aprovação dos orçamentos, Câmara e Assembleia, admitem de ânimo leve, sem exigências de explicações , tantas alterações,
EliminarInacreditável é como, estando o MpM em minoria (3 em 7), o Presidente e a Vice Presidente agem em roda livre sem dar satisfações aos restantes membros do executivo ou até mesmo á Assembleia Municipal.
EliminarParticularidades, muito singulares, do Poder Autárquico Marinhense, mas como com eles é tudo diferente lá caminhamos assobiando para o lado enquanto o concelho vai definhando.
Não falei das alterações ao orçamento porque estava a escrever para crianças de 10 anos, o que obviamente não deve ser o caso de V. Exa. Mas, que eu saiba todas as alterações foram devidamente aprovadas (bem ou mal) por quem de direito. Paralelamente a tudo isto, pessoalmente considero mais que justificada a redução dos montantes detidos pelo presidente para o mínimo que a lei prevê. Já demonstrou à saciedade que não merece essa prova de confiança que lhe foi levianamente atribuída por todo o executivo. De resto, não foi nada que não tivesse feito a outros sem qualquer razão para tal.
EliminarSr. Prof. de Orçamentos (😂) as alterações ao orçamento são uma competência da câmara, delegável no Presidente. Neste mandato essa competência, que em mandatos anteriores foi retirada por proposta do então Vereador Aurélio Ferreira, foram delegadas no Presidente.
EliminarAssim não carecem de aprovação as alterações orçamentais mas sim é apenas despacho do Presidente.
As Revisões é que são aprovadas pela Câmara e pela AM.
Senhor Anónimo (cheio de peito e de coragem opinativa, que nem diz quem é). Por acaso o Exmo senhor sem nome, sabe quais foram os argumentos na altura invocados pelo atual presidente para retirar essa competência ao presidente Paulo Vicente? É que se não sabe não diga nada ou prefere que o Prof. de Orçamentos lhe avive a memória? Coragem homem, assuma-se. Quando se gosta de opinar em público, o mínimo que se exige é assinar em baixo.
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